Os Robôs da Alvorada - Isaac Asimov

17 dezembro 2016

Eu amo Asimov, já te disse isso? Mas, saiba que é amor verdadeiro. 

Esse amor todo vem do fato de que Isaac Asimov sabia escrever, sabia como conduzir uma história de forma interessante e dinâmica. Aliás poucos autores eu consigo ler de forma tão fácil quanto Asimov. 

Além de ser pioneiro em diversos aspectos da ficção científica e de usá-la como ferramenta para divulgação (o que é um dos pontos mais fortes para que eu goste muito dele por sinal) ele sabe como usar toda essa informação e dilui-la em uma história concisa e fluída. 

Aqui no blog já falamos sobre os dois primeiros volumes da série de Robôs, que são A caverna de aço e O sol desvelado, agora é a vez do terceiro Os robôs da alvorada, lançado pela Aleph.


Os Robôs da Alvorada
Isaac Asimov 
Editora Aleph 
2015 - 544 pgs
Este livro foi cedido pela editora como cortesia 


Esse terceiro volume é bem maior do que os outros dois, porém novamente conta uma das investigações de Elijah Bailey. Se no primeiro a história se passa na Terra, contando como são as estruturas e a forma como os humanos vivem por aqui e além disso, dando uma certa introdução ao que são os Mundos Siderais, no segundo volume Asimov já descreve um deles, Solaria e introduz aqui mais do que robôs, mas um robô humaniforme que começa a transformar a concepção de Bailey sobre essas máquinas. O robô que falamos é Daneel Olivaw, parceiro de Elijah na investigação e que aos poucos se torna confidente e amigo de Bailey. 

Neste terceiro volume, vamos para Aurora, outro mundo sideral, com costumes muito diversos daqueles que ocorrem em Solaria. Uma das coisas bacanas desse livros é que Asimov pega costumes humanos e os leva ao limite ou ao completo oposto. Humanos que vivem em enormes estruturas metálicas, trancados e tem fobia de espaço aberto, ou aqueles que se isolam e repelem qualquer contato humano que possa ocorrer, ou ainda aqueles em que sexo é tido como algo sem o minímo pudor ou sentimentos, nesse último caso, estamos falando de Aurora. 

Aurora se apresenta como o planeta mais estranho até agora dos descritos por Asimov, eu entendo humanos que se isolam ou que se trancam mas, aqueles que rompem relações baseadas em sentimentos é muito interessante. 

Se pensarmos bem, toda nossa vida é baseada no que sentimos, nos nossos relacionamentos. Eliminar a relação de amor entre pais e filhos, homens e mulheres me parece um pouco ameaçador e esquisito, mas não estou dizendo isso como uma crítica ao livro, ao contrário é desafiador pensar numa sociedade que chega a esse ponto. E mais do que isso, é pensar em como essas pessoas se relacionam e como se comportam frente  a ações que questionam as suas convicções. 

Como já disse antes, Elijah é chamado a Aurora pelo roboticista Dr. Han Fasltolfe para resolver o caso o "assassinato" ou melhor, o robotícidio de um outro robô humaniforme. Não, não é Daneel mas, é um robô que foi construído sob a mesma tecnologia, sob o nome de Jander Pannel. Elijah é pressionado a investigar o caso, sob a ameaça de que sua condição com certos privilégios na Terra possam acabar se ele não concluir o caso. 

É bom lembrar que este é o terceiro volume da história de Elijah Bailey e por mais que não haja conexão direta entre as histórias que possam interferir na leitura de um ou outro livro de forma aleatória, há sim uma evolução do personagem Bailey, vemos mais do que seu crescimento profissional, vemos como que Elijah começa a mudar certos conceitos que eram tão arraigados no primeiro livro. Questões como morar em mundos siderais, viver ao livre e as relações com os robôs, vão mudando em Elijah conforme as histórias vão acontecendo, e essa é a parte interessante de ler os livros na sequência escrita por Asimov. 

Além disso, vários personagens se repetem, figuras reaparecem e casos são citados, nada de forma a impedir o entendimento da história, porém ao meu ver a leitura é bem mais rica quando feita em sequência. 

Se posso fazer uma ponderação sobre Os robôs da alvorada é que ele é até certo ponto, grande demais, algumas passagens ali poderiam ser eliminadas sem prejuízo a história. Ao contrário dos outros dois livros e de outros do Asimov que li, este aqui é bastante descritivo para o padrão do autor. Senti falta também de uma atuação mais importante de Daneel, o robô humaniforme é um personagem muito interessante e simpático no segundo livro. Quando ele aparece neste terceiro volume pensei que a parceria iria se estabelecer novamente mas, ela não ocorre de forma tão intensa quanto no segundo. 

Sou meio redundante nos livros do Asimov, mas lá vai mais um elogio com certas ressalvas como já disse sobre o tom extremamente descritivo e com algumas passagens desnecessárias, mas é sempre muito legal e divertido ler as criações malucas do autor. E mais do que isso, é uma leitura simples porém, muito prazerosa e bem construída. A facilidade de leitura está justamente nesse ponto, Isaac Asimov sabe como contar uma boa história, sabe como envolver seu leitor, sabe como começar, desenvolver e terminar bem um livro e isso não é encontrado facilmente por aí. 

Por isso, mais do que uma indicação, se você, assim como eu é fã de ficção científica, ciência e histórias bem contadas, esse livro é para você. Divirta-se!

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