Arco de virar réu

25 maio 2016

O arco de virar réu é o livro de estreia de Antonio Cestaro lançado pela Editora Tordesilhas esse ano. O livro conta a trajetória à loucura ou melhor, à esquizofrenia, do narrador, um historiador, J. Bristol, cujo irmão Pedro sofre desde cedo com o diagnóstico de esquizofrenia. 


Arco de virar réu
Antonio Cestaro
Editora Tordesilhas
2016 - 152 páginas
Este livro foi cedido pela editora como cortesia


O livro começa com a narração da doença do irmão e da família do narrador, ao passo que a história se desenrola, principalmente a partir de uma ideia que surge a ele, num simpósio sobre indígenas, que é o alvo de seu estudo. Antes disso, ele nos mostra um pouco de sua família, um tanto desfuncional e que não sabe muito bem lidar com as questões da doença de seu irmão, além de ter sido abandonado pelo pai. 

A loucura é um assunto ao meu ver, bastante atraente porque carrega em si discussões e possibilidades infinitas, há muito tempo ela é explorada seja nos livros, cinema ou qualquer outro meio,  mas é igualmente carregada de incompreensões. 

A loucura do protagonista começa então, a partir desse simpósio onde sofre delírios sobre uma suposta relação das coisas imaginadas por seu irmão e rituais indígenas, começa aí então seu processo de adoecimento. Mistura seus estudos com os delírios de seu irmão, passando por um lento declínio de sua própria sanidade. O nosso narrador começa então a escrever seus próprios delírios, tornando-se aos poucos uma história cheia de lacunas, com falas incoerentes e sem muita conexão, porém sempre uma busca pela sanidade em diversas falas do livro. 

Achei que no decorrer do livro a história fica inconcisa e se perde um pouco, junto com a perda da sanidade do narrador. Um ponto importante que achei é a citação do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, citando um pouco das barbaridades que por lá aconteceram no tratamento de pessoas com problemas psíquicos, história muito bem narrada em Holocausto Brasileiro pela autora/ jornalista Daniela Arbex. 

Para uma estreia, a história é bastante atraente e percorre um pouco desse mundo confuso e de certa forma vazio e complexo que é a doença mental. A narrativa é muito boa e sentimos a deterioração da sanidade de J. Bristol aos poucos, as vezes um pouco superficial demais mas, no geral com uma linguagem que atrai, principalmente, nos delírios, quando o texto se torna extremamente poético. 

Arco de virar réu é uma boa estreia, e tem uma capa lindíssima. 

Até mais!

Um comentário:

  1. Acho que um dos únicos livros que li sobre loucura é o Alienista, quando fui pesquisar não achei muitos livos nacionais que tratavam a loucura. Quem sabe não entra na minha lista de leituras futura.. Boa resenha! Abraços.

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