Memórias da Casa dos Mortos - Fiodor Dostoiévski

10 novembro 2015

Fiodor Dostoiévski escreveu dois livros que contam suas experiências como preso no cárcere da Sibéria, são eles: Crime e Castigo, sua obra-prima e Memórias da Casa dos Mortos, que trata mais intimamente do assunto.


Memórias da Casa dos Mortos 
Fiodor Dostoiévski
L&PM
2008 |  328 pgs
Este livro foi cedido pela editora para resenha por minha escolha 



Em 1849 o autor foi condenado a morte, por participar de grupos políticos de cunho socialista, porém pouco antes de ser fuzilado, sua pena foi modificada para quatro anos na prisão e trabalhos forçados na Sibéria.

Fato é que todos autores e estudiosos de Dostoiévski afirmam que estes momentos foram essenciais para a sua escrita. Memórias da Casa dos Mortos, já foi editado no Brasil sob um título um pouco diferente: Recordações da casa mortos, porém está edição lançada pela L&PM apresenta o primeiro título citado.

O autor conta a história de Alieksandr Pietróvitch, assassino confesso de sua esposa, condenado e enviado a prisão na Sibéria, onde através de um diário vai relatando suas experiências e contatos com homens que muitas vezes não sabem diferenciar o bem do mal. Dostoiévski constrói excelentes e detalhados perfis dos mais diferentes criminosos, desde nobres até criminosos comuns.

"O presídio, os trabalhos forçados, não melhoram o criminoso; apenas castigam, e garantem a sociedade contra os atentados que ele ainda poderia cometer. O presídio, os trabalhos forçados, desenvolvem no criminoso apenas o ódio, a sede dos prazeres proibidos, e uma terrível indiferença espiritual. Por outro lado, estou convencido de que o famoso sistema celular consegue atingir apenas um resultado enganador, aparente. Suga a seiva vital do preso, enerva-lhe a alma, enfraquece-o, assusta-o, e depois nos apresenta como um modelo de regeneração, de arrependimento, o que é apenas uma múmia ressequida e meio louca."

Além disso, relata situações completamente inadequadas, nas quais os presidiários são obrigados a passar, além disso a própria relação conturbada entre os presos e a desumanização pela qual vão passando, ao se deparar com tantas situações difíceis e humilhantes.

Acho interessante que a nossa percepção de Pietróvitch é confusa porque ao mesmo tempo que ele é um nobre e tem suas qualidades como tal, passa uma frieza e inadequação com a sociedade muito complexa, é um personagem difícil de penetrar, de compreender e de mergulhar na sua psique, ao longo do livro conforme os fatos narrados por Dostoiévski vão se juntando, talvez essa seja uma tarefa mais fácil, mas mesmo assim, a complexidade de Pietróvitch é um dos pontos altos do livro, aliás ele é tido como o alterego de Dostoiévski.

A impressão que nos dá é que todos aqueles homens são animais enjaulados prontos para explodir em qualquer momento, qualquer centelha pode acender uma grande confusão entre homens que cometeram diversos crimes.

Memórias da casa dos mortos não é um livro fácil de ler, é um livro denso, mas escrito com uma maestria fenomenal, através da construção de perfis psicológicos impressionantes, enredados em situações das mais diferentes, desde uma festa de Natal, onde vemos presos retomarem certos sentimentos que pensávamos não existir, até seres humanos que não parecem mas feras selvagens.

"O homem não pode viver sem trabalho e sem condições legais e normais: degenera-se e converte- se numa fera."
Não sei como fiquei tanto tempo sem ler Dostoiévski. 

Até mais!

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