Cartas à um Jovem Cientista - Edward O. Wilson

04 julho 2015

Dentre muitos livros que falam sobre ciência que li, Cartas a um Jovem Cientista é um dos mais leves e fáceis de ler. Uma justificativa para isso seria minha proximidade não só com a ciência mas, também com a Biologia, ramo que é o assunto central do livro e o fazer científico dentro (principalmente) da biologia, Edward Wilson é um biólogo estadounidense, entomólogo (estuda insetos) especialista em formigas, mas também é mundialmente conhecido por diversos artigos falando sobre biogeografia de ilhas, e principalmente sua teoria (controversa para muitos) sobre Sociobiologia.

Cartas a um Jovem Cientista 
Edward O. Wilson
Companhia das Letras
2015 | 204 páginas 
Este livro foi cedido pela editora como cortesia por minha escolha pessoal


Por causa dessa carreira intensa e cheia de variados trabalhos e campos, Wilson pôde escrever esse livro, ele transforma os capítulos do livro em cartas com temáticas diferentes, as quais ele acha que são essenciais na carreira de um cientista. Dentre os assuntos podemos falar em como acontece o processo criativo para uma nova pesquisa, a paixão pelo que se faz, o que se pede de um cientista, a audácia e foco necessários, e tantos outros assuntos que permeiam a carreira acadêmica.

Pessoalmente concordo com muito do que foi descrito por Wilson, ele começa com a necessidade de ser apaixonado pelo que faz, e isso é mais do que necessário é essencial. Pensando que um pesquisador trabalha por vezes mais de 12 horas por dia no assunto de sua pesquisa (sim, trabalhamos mais de 12hs no laboratório e em casa) há necessidade de ser completamente curioso e apaixonado pelo objeto da sua pesquisa, o sucesso do trabalho de um cientista está no  seu empenho, no seu conhecimento profundo sobre o que pesquisa e sobre os assuntos adjacentes, há que se fazer conexões, por isso, como diz Wilson o conhecimento tem de ser sempre ampliado e isso requer dedicação, como eu disse por vezes 12hs ou mais horas por dia (dependendo do quão perto está seu prazo!!!!).

Uma coisa que me incomodou no livro foi o empenho de Wilson em demonstrar como se tornar um cientista de ponta, de sucesso e destaque, mas sabemos que nem sempre é assim, seja a pesquisa hard como chamamos, ou seja, a ciência de base ou a ciência aplicada (que venhamos e convenhamos recebe mais louros do que a pesquisa básica e isso é errado) nem sempre você estará no topo, nos jornais como personalidades como Neil deGrasse Tyson, Richard Dawkins, o próprio Edward O. Wilson, Ernst Mayr, Stephen Jay Gould, etc etc ou vamos ao extremo com um exemplo como Albert Einstein. Nem todos chegaremos lá, mas podemos chegar a fazer ciência mesmo assim, colocando seu tijolinho na grande parede, por que como diz Isaac Newton "Se cheguei até aqui foi porque me apoiei no ombro dos gigantes", esses gigantes nem sempre são como o próprio Newton mas, aqueles que põe o tijolinho na grande parede, então não concordo com essa única visão grandiosa de cientista, cientistas são aqueles que se empenham em desvendar os mistérios da natureza que nos cerca, e isso pode ser aquele pequeno mecanismo de comunicação por ferômonios das formigas.

Assim segue Wilson com seus pontos essenciais, e cheio de experiências pessoais como por exemplo seus erros, sim por que as pessoas normalmente pensam que cientista não erra, mas erra sim e muito, o erro faz parte da metodologia cientifica e o pesquisador deve aprender a lidar com ele, não só como um fracasso na sua carreira, mas também lidar publicamente com o erro. Haverá igualmente inveja, fofoca e picuinhas e há que se ter ética que é o último assunto por Wilson, ética na pesquisa e com os outros cientistas, saber citar pesquisas anteriores, dados de outros cientistas de forma correta é essencial para que você não fique “queimado” no meio, ética é essencial e dar os devidos créditos também.

No final ficamos com a sensação de que o bom cientista é aquele que sabe fazer as perguntas que ninguém mais fez, enxergar os caminhos que os outros ainda não viram e aquele que ama profundamente o que faz.


Wilson nos ensina neste livro que devemos ensinar os jovens a gostar de ciência e mostrar a sua importância as essas novas gerações, aí está nossa sobrevivência, bem estar para nós e para as próximas gerações e igualmente nos encanta mais um pouco com a sua própria paixão demonstrada nesse livro. 


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