Stoner - John Williams

14 maio 2015

Imagine a história de um homem que nasce, trabalha parte de sua vida no campo, vai a faculdade forçado pelo pai, lá se descobre fascinado por literatura, fracassa no casamento, se torna um professor mediano e vive uma vida ordinária por toda a história, isso daria um bom livro? É isso é Stoner, aliás esse é o Stoner, mas já digo que o livro é genial. 


Stoner
John Williams
Rádio Londres
2015 - 320 pgs


William Stoner nasceu em 1891 numa pequena fazenda em Booneville no Missouri, filho único de uma família simples, com pais agricultores, Stoner trabalhou durante toda a juventude com seus pais nas plantações de sua pequena fazenda. Quando o pai de Stoner conversa com um homem que indica que seu filho deveria cursar uma universidade para estudar ciências agrárias, e que isso lhe traria benefícios na fazenda, os pais lhe sugerem que vá a faculdade estude e retorne a fazenda, Stoner um tanto sem saber o que responder, aceita. 

Assim, de forma aleatória começa sua carreira pela Universidade de Columbia, de um estudante de ciências agrárias, Stoner se transforma, depois de uma aula de literatura inglesa, em um apaixonado por literatura. Talvez a única paixão verdadeira deste personagem recaía sobre sua carreira, depois da aula de um professor chamado Archer Sloane, Stoner muda de curso e passa a estudar literatura.

Mas William Stoner conhecia a vida de uma maneira que poucos de seus colegas mais jovens podiam compreender. No seu intimo, no fundo de sua memória, havia o conhecimento das privações, da fome, da resistência e da dor. Embora ele raramente pensasse nos primeiros anos de sua vida na fazenda em Booneville, sempre mantinha a consciência do próprio sangue e da herança de seus ancestrais, cujas vidas foram humildes e duras e estoicas, e  cuja ética lhes impunha de oferecer ao mundo cruel rostos inexpressivos, duros e impenetráveis. (pg 249)

Casa-se com Edith, mas acaba vivendo uma vida completamente infeliz, tem uma filha com a qual mantém uma relação igualmente difícil por causa de Edith. Enfim, Stoner tem uma vida completamente medíocre, John Williams nos brinda com a história de um homem comum, de um homem que não quis se comprometer, ou se debater contra a vida. 

Dizendo dessa forma, parece que a história não é boa, mas é exatamente o contrário, Stoner é uma leitura incrível, o por que provavelmente eu não sei responder. Talvez seja por que o autor se propõe a nos relatar a história comum, aquela com a qual, qualquer um pode se ver um determinado ponto, talvez a identificação com a história nos mostre que somos também Stoner, afinal quem vive uma vida espetacular ? O que é uma vida espetacular?

Em seu quadragésimo terceiro ano William Stoner aprendeu o que os outros, muito mais jovens que ele, tonham aprendido antes dele: que a pessoa que se ama no começo não é a pessoa que enfim se ama, e que o amor não é um fim mas um processo  através do qual uma pessoa experimenta conhecer a outra. (pg 220)

A resposta provavelmente é subjetiva, para Stoner a sua vida valeu a pena, valeu principalmente por seu trabalho, pela literatura, pelas aulas e pelos estudos, mas também valeu pela sua filha e sua esposa, Stoner não é ressentido com a própria história, é calmo, sereno e compreende que cada passo é parte de suas escolhas. A apatia, a falta de posicionamento em quase todos os aspectos de sua vida, parecem ser escolhas conscientes e isso pode irritar alguns leitores ou ao contrário, nos fascinar de uma forma estranha. 

O livro é incrível apesar da apatia do personagem, o final é bem escrito e deixa o leitor com a sensação de um encerramento real e gratificante para toda aquela história. 

A edição da Rádio Londres é ótima, capa linda e folhas amarelas, vale a leitura, e diga-me depois se Stoner não é absurdamente incrível.

Até mais!




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