Reze pelas Mulheres Roubadas - Jennifer Clement

26 maio 2015

Reze pelas mulheres roubadas conta a história de uma menina mexicana, Ladydi, que vive na cidade de Guerrero, onde vive principalmente mulheres.

Reze pelas mulheres roubadas 
Jennifer Clement
Editora Rocco
2015 - 240 pgs


Guerrero é assombrada pelos narcotraficantes que roubam as meninas para servirem de amantes para os traficantes e amigos, por isso todas as mães da cidade "enfeiam" suas filhas para que elas não pareçam meninas mas, sim meninos. Ao mesmo tempo que, essas mães são constantemente abandonadas por seus maridos que partem para os Estados Unidos deixando-as sozinhas.

Assim, é mãe de Ladydi, Rita, uma  mulher amargurada com o abandono do marido e que vive para assistir documentários no History Channel, de onde inclusive, se inspirou para dar o nome à sua filha. Entretanto, é de Rita que saí os melhores diálogos, frases e expressões, inclusive a mania de mandar a filha rezar por tudo e todos.

Ladydi tem três amigas, Maria e Stefania e Paula, as quais vivem o mesmo drama de se fingir de menino e se enfeiar como modo de sobrevivência. As quatro frequentam a escola da cidade que, por vezes tem ou não professor, mandados para lá quase que na forma de caridade pra essas pessoas, esses nem sempre ficam ou se assustam com o clima da cidade e vão embora ou ficam apenas 1 ano e retornam as suas cidades o mais rápido que puderem.

A história se desenrola sempre tendo como base a visão de Ladydi, narrando suas experiências com as amigas, as lembranças do pai, o relacionamento com a mãe e com o primo Mike. 

O livro é relativamente curto, com uma narração agradável porém, a história por mais que mescle humor e uma certa dose de ingenuidade por parte da nossa narradora Laydi, é bastante pesada, contando mortes e assassinatos por parte dos narcotraficantes e até mesmo o sequestro das meninas da cidade de Guerrero. 

O tom de ingenuidade perante uma realidade dura se assemelha ao livro de Juan Pablo Villalobos, Festa no Covil, porém são vistas por aspectos diferentes, enquanto em Festa no Covil, a criança narradora está dentro do grupo de narcotraficantes, Ladydi está fora, entretanto, a dureza dos fatos são ao meu ver semelhantes, meninas e mulheres abandonadas, não só pelos maridos, mas também pelo governo, polícia, quase como se fossem invisíveis. 

É um relato contudente do México atual, mas é uma história que poderia ser relatada em qualquer país do mundo sobre os cidadãos esquecidos, porém fortes e sobreviventes em  que mundo e a conjuntura política preferiram abandona-los a própria sorte. 



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