Uma Breve História do Tempo - Stephen Hawking

23 março 2015

Um dos gêneros que mais me atrai é a literatura cientifica, se é que existe esse termo, mas livros que tratam sobre questões da ciência sempre me fascinaram, tanto que parti para o caminho da ciência como minha profissão. No último mês a editora Intrínseca relançou o livro Uma Breve História do Tempo do físico inglês Stephen Hawking e fui atraída como que por magnetismo. 

Uma Breve História do Tempo
Stephen Hawking
Editora Intrínseca
256  pgs - 2015
Este livro foi cedido pela editora como cortesia, por minha escolha pessoal, para resenha

Originalmente o livro foi publicado em 1988, seu principal foco é tratar de Cosmologia, a parte da física que estuda o cosmos, ou seja o universo e todas as suas leis. Stephen Hawking é um dos mais importantes cosmologos da nossa época e, junto com outros cientistas nos ajudou a entender um pouco mais sobre buracos negros e o Big Bang. 

O livro é como todos os outros que pretendem fazer divulgação cientifica, é composto por uma série de informações e descobertas da ciência, escritas de uma forma que possa atingir o público em geral. Aqui Hawking trata essencialmente, como já disse, de cosmologia mas, ao mesmo tempo que desmistifica a física como algo inalcançável, apresenta cálculos matemáticos complexos, é uma montanha russa de física e de matemática. 

O que disse acima pode parecer ruim mas não é, porque aonde quero chegar é que o autor não subestima seu leitor, não apresenta conteúdo mastigado e com linguagem comum, ele quer nos colocar dentro do mundo (maravilhoso) da física moderna ou clássica, e igualmente do quão essencial é conhecermos não só o mundo mas, a nós mesmo através do caminho da ciência. 

Hawking vai tratar essencialmente de assuntos relacionados as suas pesquisas, o Big Bang e o Big Crush, respectivamente a origem e o fim do universo através de dois grandes eventos que estão intimamente relacionados, os buracos negros objeto de pesquisa do autor, pesquisa essa que lhe garante a sua respeitabilidade no meio acadêmico. Além disso, uma boa parte do livro é dedicado à questão do espaço-tempo e como esse conceito foi se modificando ao longo do tempo. 


"O que você faz quando descobre que cometeu um equívoco desses? Certas pessoas jamais admitem o erro e continuam encontrando argumentos novos e, muitas vezes, mutuamente contradizentes para provar seu ponto de vista – como Eddington fez ao se opor a teoria dos buracos negros. Outros alegam que nunca apoiaram de fato o ponto de vista incorreto ou, se o fizeram, foi apenas para mostrar que era incoerente. Na minha opinião, é muito melhor e menos confuso admitir o próprio erro em uma publicação. Um bom exemplo disso foi Einstein, que chamou a constante cosmológica, a qual introduziu quando tentava criar um modelo estático do universo, de o maior erro de sua vida." (pg 187)


O mais interessante disso tudo, ao meu ver, não é só a cronologia das descobertas ou os conceitos importantíssimos apresentados aqui, mas a essência de Hawking como pesquisador, algumas experiências pessoais do cientista são contadas no livro, como a descoberta de que errou em uma determinada pesquisa e então ele passa a discutir como é mais difícil negar o erro do que admiti-lo, e como isso é uma grande verdade no meio cientifico. A população em geral, já possui uma visão errônea da ciência em si, como uma absoluta e completa verdade e, além disso, uma ideia empírica de que não há erros na ciência, só que há e há muitos, todos os dias, na verdade há mais erros do que acertos mas, esses supostos erros também são igualmente resultados assim como os acertos. 

Outro ponto a se destacar é o humor de Hawking, a capacidade de rir de si e do contexto em que se insere, as apostas com cientistas, as piadas que foram ditas, tudo isso contado de uma forma que faz com o que o leitor entenda de uma vez por todas que e a ciência é feita por pessoas, como eu e você, como o José e o Pedro ou a Maria e a Fernanda, a ciência somos nós, construídos por nós, inseridos dentro de um contexto sócio-político e histórico. Essa para mim é a maior contribuição de um livro de divulgação cientifica, tornar não só os conceitos acessíveis, que podem ser aprendidos em qualquer outro lugar, mas desmistificar a ciência e a figura do cientista como algo inalcançável ou feito por gênios, não, não é isso, e o meu trabalho pessoal e diário é alcançar isso e vejo nesses livros aliados importantes para a disseminação da importância da ciência. 


"Esse cenário de um estágio primitivo quente do universo foi proposto pela primeira vez pelo cientista George Gamow, em um famoso artigo escrito em 1948 com um aluno dele, Ralph Alpher. Gamow tinha um senso de humor e tanto – ele convenceu o cientista nuclear Hans Bethe a acrescentar seu nome ao artigo para que a lista de autores fosse “Alpher, Bethe, Gamow”, como as primeiras três letras do alfabeto grego (alfa, beta e gama); particularmente apropriado para um artigo sobre o começo do universo!" (pg 151)


Cientistas também são fanfarrões! ;)

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