Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie

04 fevereiro 2015

Se este livro tivesse sido lido em 2014 teria definitivamente entrado para a lista de melhores do ano, pena que terminei somente em janeiro.

Pena só porque não pude inclui-lo nas melhores leituras de 2014 já que foi o ano em que foi lançado, porque a "pena" para por ai, Americanah é simplesmente fantástico.


Americanah
Chimamanda Ngozi Adichie 
Companhia das Letras
2014 - 516 pgs
Este livro foi cedido pela editora, por minha escolha pessoal, para resenha.


Fantástico é uma forma muito genérica de falar sobre este livro, ele tem camadas e mais camadas e com toda certeza não sou habilidosa para dissecar esse livro da forma como ele deveria.

Americanah foi escrito por Chimamanda Ngozi Adichie, de origem nigeriana e é autora de outros livros de sucesso como Hibisco Roxo e Meio Sol Amarelo (lançados pelas Companhia das Letras). Americanah foi vencedor do National Book Critics Circle Award e foi eleito um dos melhores livros do ano pelo New York Times

O livro conta a história de Ifemelu, uma nigeriana, moradora da cidade de Lagos, estudante e que conhece Obinze, ambos adolescentes começam a namorar na Nigéria dos anos 90, imersa em problemas com o governo militar. Ifemelu e Obinze acabam se separando quando ela parte para estudar nos Estados Unidos e, a história se desenrola a partir desse ponto, com capítulos alternados contando partes da vida de Ifemelu e Obinze durante os anos que passaram separados. Mas não, Americanah não se resume a isso, esse não é um livro sobre um relacionamento, Americanah é mais do que isso. 

Chimamanda divide conosco uma história sobre pequenos detalhes que não deveriam passar sob nossos olhos de forma tão discreta como passa, e isso torna o livro muito forte e eu diria essencial. Apesar da história se passar parcialmente na Nigéria, o foco principal do livro é a questão racial, majoritariamente nos Estados Unidos, com outros focos menos importantes, como o amadurecimento de dois jovens e mesmo, feminismo já discutido em outras ocasiões pela autora. Ifemelu passa a perceber a questão racial quando imigra para os Estados Unidos e tenta encontrar novamente sua identidade dentro de um país que segrega por diversos fatores mas, o principal deles a cor da pele. 


"Não conseguiam entender por que as pessoas como ele, criadas com todo o necessário para satisfazer suas necessidades básicas, mas chafurdando na insatisfação, condicionadas desde o nascimento a olhar para outro lugar, eternamente convencidas de que a vida real acontecia nesse outro lugar, agora estavam resolvidas a fazer coisas perigosas, ilegais, para poder ir embora, sem estar passando fome, ter sido estupradas nem estar fugindo de aldeias em chama. Apenas famintas por escolhas e certezas."

Ifemelu quando se muda para os Estados Unidos, sua única referência é sua tia Uju que mudou-se com seu filho Dike anos antes. A dificuldade de Ifemelu de se reconhecer em uma sociedade completamente diferente é a grande essência do livro, desde a procura por uma cabeleireira que saiba trançar seu cabelo até o namoro com um rapaz branco e rico que não tem a minima noção do que é a Nigéria. 

Chimamanda Ngozi Adichie
Uma das discussões mais interessantes no livro é a diferenciação de "raças" que acontece numa sociedade ocidental, termos, expressões e a necessidade de ser politicamente correto com o que se refere e fala é exaustivamente discutido em Americanah, principalmente através do blog de Ifemelu em que ela dialoga sobre isso, como uma negra não-americana enxerga a vida de negros americanos e grupos mais excluídos como latinos por exemplo. 

Ifemelu vai nos mostrando pequenos eventos que demonstram claramente o racismo velado, como por exemplo, o estranhamento que causa o relacionamento de uma negra com um branco rico. Ao mesmo tempo que as pessoas se preocupam demais em não chamar alguém pejorativamente por causa de sua etnia, o editor do namorado de Ifemelu quer deixar "a questão racial de lado" no livro dele. O livro é composto de detalhes, que na verdade não estão escondidos sobre um mar de textos cheios sutilezas, ao contrário Ifemelu é muito clara ao discutir o assunto racial e isso é o que torna o livro brilhante e essencial. 

"Entre eles, cresceu um silêncio, um silêncio ancestral que ambos conheciam. Ela estava dentro desse silêncio, e estava segura."


Ao retornar a Nigéria, Ifemelu sofre nova estranheza e não reconhece mais o local onde cresceu, e entra em um conflito novamente sobre sua identidade, pois Lagos é uma cidade diferente da que deixou quando foi aos Estados Unidos e, aí que mora a questão Ifemelu se tornou uma Americanah? Termo esse usado por sua amiga ao descrever pessoas que retornavam do exterior, mudados e até com sotaques diferentes, que criticavam o país e seus costumes.  O quanto ela havia se acomodado dentro dos costumes e manias dos americanos? O quanto ela tinha se distanciado daquilo que era a sua origem? 

O texto de Chimamanda é simples, mas causou-me uma estranheza no início, a história começa a desenrolar bem depois de alguns capítulos mas, não deixa de ser um dos melhores lançamentos de 2014 definitivamente. Livro mais que recomendado. 

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