Um Cântico para Leibowitz - Walter M. Miller Jr.

08 janeiro 2015

Sempre é muito difícil falar sobre uma leitura que gostamos muito, Um Cântico para Leibowitz o único romance escrito em 1961 por Walter M. Miller Jr., narra um futuro pós apocalíptico, onde o mundo foi atingido por um ataque nuclear. 


Um Cântico para Leibowitz 
Walter M. Miller Jr, 
2014 - 400 pgs
Editora Aleph
Este livro foi cedido como cortesia pela editora


Walter M. Miller traz uma narrativa que mescla assuntos muito sérios mergulhados em humor e muito cinismo neste mundo apocalíptico pós o Dilúvio do Fogo, esse evento refere-se ao ataque nuclear que leva a civilização a um retrocesso cultural. 

A história conta um mundo que vive imerso em religiosidade extrema, com pequenos grupos sociais dispersos, semelhante à nossa Idade Média. A religião continua sendo o catolicismo, entretanto focado em grupo específico, o Monastério da Ordem de São Leibowitz, que são responsáveis por manter a Memorabilia, que é composto por pequenos achados que conservam partes da história cientifica de antes do Dilúvio de Fogo. São Leibowitz é um santo que em vida, durante o dilúvio, era um homem de ciência e tentou acumular informações sobre o conhecimento cientifico humano, depois de morto surge então a Ordem em sua homenagem que é responsável por continuar “sua peregrinação” na busca e guarda pelo conhecimento cientifico restante, assim os padres da ordem descrevem. 

O livro é dividido em 3 partes denominadas Fiat Homo, Fiat Lux e Fiat Voluntas Tua, porém a três partes também denotam épocas distintas, mas claro com conexão entre elas. Cada uma representaria momentos históricos distintos, como já disse, mas altamente comparável a épocas em que nossa humanidade já passou. 

Não pretendo falar muito sobre cada uma das épocas porque elas apresentam uma certa continuidade histórica, mesmo que não seja em tempo linear, ainda assim há ligações importantes entre as partes, por isso consideraria que dissecar o livro seria um grandíssimo spoiler. Prefiro dizer minhas impressões e deixar o leitor descobrir o caminho que o autor resolve tomar. 

Fato é que Walter M. Miller constrói uma história, à meu ver, circular, com inspirações grandes na realidade. Como disse anteriormente, a primeira parte do livro onde nos deparamos com uma sociedade quase feudal, administrada em muitas partes pela Igreja dominante se assemelha demais a nossa Idade Média, entretanto a história é espirituosa, com personagens como o padre Francis que mal sabe o que deve fazer depois de respirar e, ao mesmo tempo, se torna o grande descobrir de uma relíquia importante, do outro lado o abade da Ordem, um homem cínico e nada caridosamente cristão, por vezes em dúvida da própria fé mais cético que os céticos, vemos nesses personagens jogos de interesse, manipulações e humor, humor ácido mas humor. 

A segunda parte do livro eu o compararia ao Iluminismo e a busca pelo conhecimento, já a terceira parte, trata-se de um futuro distópico criado pelo autor, acho que posso dizer isso sem necessariamente soar spoiler, mas é necessário para que eu conclua meu raciocínio. Uma das partes mais interessantes para mim é perceber que o autor tem pequenos toques na história que nos alertam para as distorções históricas. Francis (e outros personagens e eventos) ao ser descrito no livro em momentos diferentes toma características completamente diversa do que era realmente “em vida”, essas pequenas percepções de Walter M. Miller ao meu ver torna o livro excelente, esse trabalho minucioso de nos mostrar que a história algumas vezes é construída doa forma como convém a alguns, é fenomenal. 

Além disso, a narrativa flui muito facilmente, o livro não é descritivo, é como eu já disse extremamente espirituoso, na falta de uma melhor definição. Apesar de não ser descritivo, é cheio de diálogos, principalmente que ocorrem dentro da Ordem dos padres, e por isso é uma narrativa mais lenta, sem eventos ou ação. Em vários momentos da história há termos, expressões e conversas em latim, isso poderia dificultar a leitura, mas esta edição da Editora Aleph traz todas as expressões traduzidas no final do livro, isso é importante porque muitas dessas minucias, essas pequenas sacadas do autor estão relacionadas com as expressões em latim. 

A história nos deixa com uma sensação de que o mundo pode tomar certos rumos obscuros e por isso é tão bom, porque parece real, eu tive essa sensação pelo menos, a impressão de que (tirando algumas peripécias científicas da última parte) certos erros e intenções humanas poderiam realmente ocorrer e isso as vezes é um pouco assustador 

Livro excelente que deve ser lido e relido. 

Até mais !

3 comentários:

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