Diga o Nome Dela de Francisco Goldman

30 setembro 2014

Uma das coisas mais difíceis de lidar é a morte, seja a própria morte, porque sabemos que por mais longo ou mais curto nossos dias terão um fim, ou a morte de um ente querido que nos deixa não só uma marca dolorosa mas, igualmente questões filosóficas e metafisicas a lidar. 


Diga o Nome Dela
Francisco Goldman
Companhia das Letras
2014 - 400 pgs
Este livro foi cedido pela editora, por minha escolha pessoal, para resenha


Ao longo do tempo tenho acompanhado diversos livros, séries e filmes que tratam sobre o assunto. Muitos deles lidam com a temática de forma trágica, dolorida, mostrando somente o lado solene e complexo de se lidar com a morte. Outros já demonstram a importância da vida, demonstrando como ela é passageira, rápida e maravilhosa ao mesmo tempo. Séries como Six Feet Under (HBO – 2001) partem para este lado, cujo tema essencial é a vida, partindo da perspectiva da morte. 

Depois de ler o livro de Joan Didion, O Ano do Pensamento Mágico que fala sobre o luto de Joan após a morte de seu marido, a Companhia das Letras lançou o livro do autor americano Francisco Goldman, Diga o Nome Dela (2014). O livro relata o processo de luto de Francisco após a morte de sua esposa, Aura, em um acidente no mar no qual quebrou o pescoço durante um mergulho. 

Francisco nos mostra uma mulher jovem, doutoranda em literatura latina no auge de sua vida, com diversos planos, mas morre de repente, por causa de um acidente em um momento que deveria ser de alegria. 

O casal permaneceu junto durante quatro anos, mas a forma como Francisco descreve o relacionamento mostra pessoas que se encontraram, não só de forma física mas, como um encontro de duas almas que se entendem. Por isso, a dor de quem fica é imensa, tanto do marido e autor, quanto da mãe de Aura. 

Aura é filha única de uma mulher mexicana, cujo esforço sempre esteve voltado a dar o melhor para sua única filha e, obviamente o processo de luto dessa mãe é difícil, passando a culpar Francisco pelo incidente. 

Vários fatos são narrados da vida dos dois, da carreira e da família de Aura, poemas e textos acabados e inacabados também são mostrados, enfim Francisco narra a vida de Aura de uma forma viva e alegre. Mesmo que durante o livro há momentos em que Francisco relata seus momentos de tristeza, o livro é mais do que isso, é a história de amor de Aura Estrada e Francisco Goldman contada através de fatos do dia a dia, coisas corriqueiras que não damos tanto valor, mas que no fim são as que são lembradas. 

Aura e Francisco


Por mais que Diga o Nome Dela seja um livro de luto e portanto trate sobre morte, o tom é de uma lembrança alegre e carinhosa de Aura, compartilhando partes de sua vida, e como disse no inicio, é o relato de uma morte sobre a narração de uma vida cheia de brilho e alegrias, e são essas as nossas eternidades, os momentos do café da manhã, do fim de tarde, das férias na praia, do cinema visitado, enfim aquilo que compartilhamos e que ficam nas memórias daqueles que amamos e que nos amam. 

“Abrace-a com força, se você a tem; abrace-a muito, pensei, é meu conselho para todos que estão vivos. Respire o perfume dela, encoste o nariz em seu cabelo, respire profundamente o perfume dela. Diga o nome dela. Será sempre o nome dela. Nem a morte pode roubá-lo. O mesmo nome, viva ou morta, sempre. Aura Estrada.”

Leia pensando que em Diga o Nome Dela, Francisco Goldman celebra a vida de Aura e eterniza sua existência nas poucas mais de 400 páginas que a descreve lindamente.

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