A Morte do Pai de Karl Ove Knausgard

10 setembro 2014

Nunca o cursor do word ficou tantas vezes piscando sem eu conseguir terminar a primeira frase de uma resenha, mas Karl Ove conseguiu me paralisar completamente quando tentei dizer o que tinha achado de seu livro, A Morte do Pai, primeiro volume de sua série autobiográfica chamada de Minha Luta. 

A Morte do Pai
Karl Ove Knausgard
Companhia das Letras
2013
512 pgs



Ainda não acredito que esta resenha fará algum sentido no final, porque é difícil falar quando você interage emocionalmente tanto com uma história, isso causa como uma paralisia temporária que te impede de explicar porque determinado livro foi tão bom. 

E começo por aí A Morte do Pai não é um bom livro, é um livro espetacular, apesar de ter uma narrativa absolutamente comum em tratando-se do seu conteúdo, é deliciosamente impactante a forma como ela nos enreda. 

Karl escreveu uma série de 6 livros, o qual intitulou provocativamente de Minha Luta, trata-se de um relato autobiográfico do autor, em cada volume ele trata de um aspecto que considerou importante em sua vida, neste primeiro volume, Karl Ove discursa sobre a sua relação com o seu pai e claro, como já diz o título sobre a morte dele. 

Fato é que o livro é uma mistura de eventos comuns da vida de Karl, assim como de divagações e angústias que enfrentou. Karl Ove vai liberando as camadas de sua vida, de seus pensamentos e sentimentos. E é isso que torna a coisa toda genial, a capacidade de simplesmente dizer aquilo que sente e pensa de verdade, de forma tão crua e por vezes dura, é simplesmente arrebatador. Tantas vezes pensamos que a realidade não pode ser interessante, que nosso dia a dia é uma sequência de fatos que pouco importam ou que nada valem, Karl Ove nos mostra o contrário disso, a beleza de enxergar a si mesmo, os outros e a própria vida com olhos crus. 

O problema de se relatar fatos reais, é que não lidamos apenas (e isso já não é pouco) com a exposição da sua própria vida, mas também expomos pessoas com as quais convivemos. Karl não poupa a si mesmo e igualmente não poupa as pessoas que conviveram com ele. Fato é que, Karl Ove compartilha com seus leitores muitas pessoas que passaram por sua vida, a verdade é que cada um tem uma visão sobre a realidade, e a que lemos é a de Karl Ove e apenas dele. 

Karl Ove Knausgard

E no relato desse volume 1, nos é contado a relação conflituosa que Karl Ove tinha com seu pai. Não é novidade nenhuma, já que o título deixa isso bem claro, é discutido assuntos da infância de Karl, mesclados com o ápice da história que é a morte de seu pai. O autor disseca a vida de seu pai, que depois de mais velho tornou-se alcoólatra, além disso compartilha cenas difíceis protagonizadas pela sua avó que passou a sofrer de demência, e ao mesmo tempo conviveu com o pai de Karl, seu filho, no final de sua vida, ou seja no período mais difícil. 

O livro é uma dissecção pura da própria vida do autor, e nós como leitores vorazes acompanhamos fielmente e atentamente todo o percurso que Karl Ove faz desde sua infância, até as suas primeiras experiências sexuais, uma adolescência conturbada e uma vida adulta na qual começa a entender a relação que tinha com seu pai, pois ele mesmo passa a viver a paternidade. 

Como eu disse ali em cima, sou incapaz de fazer análises mais profundas sobre este livro, por causa da proximidade que senti ao ler sobre a vida, o cotidiano, as divagações e as dúvidas de Karl Ove Knausgard, só posso dizer que mergulhamos numa série de relatos corriqueiros mesclados com questionamentos filosóficos e metafísicos, passando por uma exposição quase subcutânea da vida do autor e de seus familiares.

Não sei qual a sua opinião sobre este livro, a minha é que Karl Ove Knausgard escreveu um dos livros mais espetaculares que já tive a oportunidade de ler.

Um comentário:

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