Até o dia em que o cão morreu de Daniel Galera

27 agosto 2014

Desde que criei o blog e assim portanto, comecei a sistematizar minhas leituras por aqui, ouço o nome do autor brasileiro Daniel Galera. Não posso dizer que sou a leitora mais voraz de literatura brasileira contemporânea, porém tenho tentado me redimir dessa falha. E um desses momentos de “redenção” foi ter a oportunidade de ler meu primeiro livro do autor gaúcho Daniel Galera, Até o dia em que o cão morreu, lançado pela Companhia das Letras em 2007, já havia sido lançado anteriormente pela Editora Livros do Mal em 2001. 

Até o dia em que o cão morreu
Daniel Galera
Companhia das Letras
100 pgs
2007


Até o dia em que o cão morreu é o livro de estreia de Galera e conta a história de um rapaz de 20 e poucos anos, que mora em Porto Alegre e opta por viver uma vida isolada, puramente de sobrevivência, mora sozinho em um apartamento quase sem móveis, sem muitas ambições, vivendo de subemprego em subemprego, por isso ainda é sustentado financeiramente pelos seus pais, além disso se isola emocionalmente de todos ao seu redor. Isso ocorre até que um cão vira-lata entra em sua vida, junto com o cão surge uma modelo chamada Marcela, ambos proporcionam ao personagem principal (sem nome) vínculos e relações mais próximas que ele não estabelecia nem com seus pais há muito tempo. Marcela aparentemente é o exato oposto do rapaz, expansiva, ambiciosa e sonhadora, o que causa um certo desconforto no rapaz. 

A história relata o amadurecimento deste personagem, amadurecimento emocional principalmente, a reconstrução de seus relacionamentos, e de certa forma uma vida comum. 

Apesar de toda essa carga emocional que envolve o personagem, a narração dos fatos não me parece clichê, a questão do afastamento, da solidão ou depressão, é narrada de uma maneira bastante simples, porém sem abordagens dramáticas. Tudo parece monótono e caótico até aos poucos não ser mais, quando o próprio personagem vai ser abrindo e se permitindo novos momentos, ou melhor uma nova expectativa de vida. O final é bastante surpreendente, porém pode deixar de “cabelo em pé” os mais rigorosos leitores, porque o livro não tem um final fechado, claro e conciso. 

A narrativa é fácil de ler, principalmente para um gaúcho, o livro é regado de gírias e palavras regionais, entretanto a história flui muito bem, tem 100 páginas, por isso é um livro para ler de uma vez só. Além disso, possui poucos personagens, tem uma história centrada no nosso personagem principal, grande parte dos acontecimentos são narrados dentro do apartamento e quase sempre sobre a perspectiva do personagem central. 

Talvez não possa ser dito que seja um livro surpreendente, mas tem uma história bem escrita, concisa e que prende a atenção. Não há grandes eventos ou reviravoltas, estamos imersos na vida daquele moço, dentro daquele apartamento, vivendo uma vida monótona que de repente mesmo contra a sua vontade, começa a se modificar. Vemos a trajetória de um recomeço de um personagem impulsionada pelo aparecimento de um cão vira-lata e uma menina cheia de sonhos. 

Daniel Galera tem outros livros editados igualmente pela Companhia das Letras, um de seus livros mais famosos é Barba Ensopada de Sangue, lançado recentemente.

Um comentário:

  1. Gostei muito desse livro, embora o personagem principal tenha me irritado horrores com seu comodismo e certa dose de canalhice. Acho que é justamente esse caráter absurdamente humano que torna o livro interessante, já que a trama é bem banal. Foi meu segundo livro do Galera e quero ler outros.
    Bjo!

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