O Ano do Pensamento Mágico de Joan Didion

18 julho 2014


"A vida se transforma rapidamente. A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente"

É com essa frase que Joan Didion começa a nos contar a sua trajetória de luto depois da morte de seu marido. O Ano do Pensamento Mágico é mais que um livro de memórias ou mesmo um texto somente autobiográfico, é um relato de um processo de luto, é quase como uma forma de expurgar, de pôr para fora todas as dúvidas, anseios, medos e tristezas que ela mesmo viveu depois da morte de seu marido. 

O Ano do Pensamento Mágico
Joan Didion 
Nova Fronteira 
2006 - 221 pgs. 


Joan Didion foi casada com John Gregory Dunne, também escritor, com o qual teve uma única filha. John morreu em casa, depois de sofrer um infarto no mesmo período que sua filha, estava internada em um hospital de Nova York com complicações sérias geradas pela evolução de uma gripe. Além de sofrer sozinha com a morte do marido, durante boa parte do período de um ano após a morte de John, Joan teve de lidar com a doença e as recaídas de sua filha, que também esteve muito perto da morte. A forma como Joan lida com seu luto, com a mudança repentina de todo o contexto de sua vida, ao mesmo tempo que sua única filha está com graves problemas de saúde, é a temática central deste livro, não só como um processo de luto, mas um processo de se entender novamente sem aquele que foi seu companheiro por décadas. 

O mais interessante de tudo, é que o livro não caí em pieguismos, ou relatos de auto piedade, é uma narrativa dura, seca, difícil de ser lida, porque trata de um fim não esperado, de uma parte de nossas vidas que não estamos acostumados a lidar, com a perda, com a morte. 

Joan tenta elaborar para si mesma essa perda, é como um modo de recomeçar, de certa forma uma nova forma de viver, quando ela mesma descreve que não sabe o que é fazer isso ou aquilo sem que John esteja ao seu lado, tudo perde um tanto o sentido, e é assim que ela tenta através da escrita organizar de certa forma sua vida. 

Joan e John


Não há grandes acontecimentos, nem mesmo clímax, não há de certo um enredo definido, porém a história contada por Joan é vívida, dura, doída e muito verdadeira, acredito que qualquer pessoa que passou por uma perda inimaginável, de pessoas que fazem parte de sua vida intensamente, que tiveram luto considerável em sua vida irão entender os pensamentos, sentimentos e processos pelos quais passaram Joan Didion. 

Caso você não tenha passado, e que sorte a sua, entenda que você não passará imune a dor passada através das linhas de O Ano do Pensamento Mágico. Vi muitos comentários que este é um livro que não vale a pena por que é "triste", mas a tristeza também faz parte da vida, momentos relatados por Joan são degraus que também vamos nos deparar, a questão aqui é Joan tentou lidar com isso, da sua forma, escrevendo, mesmo tudo parecendo absolutamente sem sentido. Então esse é um livro triste? Sim e não, é triste pelas várias razões já descritas exaustivamente acima, mas também representa um passo de alguém que tenta reorganizar sua vida de uma forma nova perto dos 70 anos de idade, e isso é dificílimo. 

Esse livro também foi adaptado pela própria autora para o teatro, Joan Didion foi interpretada por Vanessa Redgrave na peça original. 

O Ano do Pensamento Mágico tem uma continuação, Noites Azuis na qual Joan narra a morte de sua única filha. 

Até mais!

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