O Rei de Amarelo de Robert W. Chambers

16 junho 2014

Eu confesso que não conhecia O Rei de Amarelo até assistir True Detective, por fim fiquei sabendo sobre o lançamento pela Intrínseca, e a curiosidade acendeu. 

Acho que é magnífico quando boas surpresas aparecem na vida. O Rei de Amarelo, com certeza foi uma ótima surpresa. 

O Rei de Amarelo
Robert W. Chambers
Editora Intrínseca
2014 - 254 págs
Este livro foi cedido pela editora, como escolha pessoal, para resenha


O Rei de Amarelo foi escrito por Robert W. Chambers em 1895, composto de uma série de contos. Ao que indica o prefácio do livro, O Rei de Amarelo teve várias edições, está versão editada pela Intrínseca corresponde a edição original, editada pelo autor. A principal razão pelas várias edições, é que este livro é composto de duas facetas, a primeira composta de contos fantásticos de terror, porém com um tom um tanto irreal, como se a realidade daquelas personagens fossem um tanto diferente da "verdadeira" realidade, já os contos finais são compostos de histórias mais realistas, ou seja, você detecta que o autor refere-se ao mundo como nós o vemos e, não visões à parte da realidade, então certos editores para manter o livro voltado inteiramente ao terror, retiravam a segunda parte do livro, ou inseriam outros contos de terror e suspense de Chambers.

O Rei de Amarelo carrega consigo um mistério, quem seria na realidade esse rei? Ou o que seriam as referências dadas pelo autor sobre essa realidade alternativa, da máscara pálida, o emblema amarelo, como seria o segundo ato dessa peça de teatro, todas essas referências dadas pelo autor, mas não explicadas em nenhum momento do livro. Isso fez com que ao redor desses contos fosse criado a chamada "mitologia amarela", criada por outros autores, que tentaram desvendar do que se tratava as referências de símbolos, locais e nomes de pessoas dadas por Chambers.

Chambers cria através de seus contos não só boas histórias, mas conexões entre elas. Nunca tinha lido qualquer livro de contos que parecesse mais uma sequência de capítulos do que uma de contos. Até por isso, pela repetição de muitas informações e das ligações entre elas, que outros autores a denominam de "Mitologia Amarela".

Além de toda essa construção fantástica, o livro possui uma trama que prende. Os primeiros contos proporcionam ao leitor um terror psicológico magnífico, nada é explicado de forma explicita, mas o medo, o suspense, a tensão está ali, por alguma razão o medo é inevitável. 

Meu conto favorito com certeza, foi o assustador O Emblema Amarelo, pois ele concentra toda a mitologia, e ainda é arrebatadoramente assustador, é o clímax de tensão no livro. Na segunda parte, o último conto Rue Barrée, apesar de ser parte do conteúdo mais realista, apresenta um dose de suspense na figura da personagem feminina da história. Bem construída, mescla dados de outros contos, e finaliza com uma dose de suspense bem na medida. 

"Jantei naquela noite, ou melhor, jantamos, a srta. Carmichael e eu, no Solari's, e o amanhecer mal começava a iluminar a cruz na Memorial Church quando entrei na Washington Square, depois de deixar Edith em Brunswick. Não havia uma alma viva no parque quando passei pelas árvores e peguei o caminho que leva da estátua de Garibaldi até o prédio residencial Hamilton, mas, quando passei pelo pátio da igreja, vi uma figura sentada nos degraus de pedra. Apesar de ser como sou, fui tomado por um caláfrio ao ver aquele rosto branco, e apressei o passo. Então ele disse algoque pode ter sido dirigido a mim ou meramente um múrmurio para si mesmo, mas uma raiva furiosa e repentina inflamou-se em meu interior pela possibilidade de tal criatura se dirigir a mim. Por um instante, senti vontade de correr até lá e esmagar sua cabeça com minha bengala, mas continuei andando, entrei no edificio Hamilton e fui para o meu apartamento. Por um tempo, fiquei me remexendo na cama para tentar tirar o som de sua voz de meus ouvidos, mas não consegui. Aquele som murmurando enchia minha cabeça como uma fumaça densa e oleosa de um tacho de derreter banha ou como meus ouvidos parecia mais clara, e comecei a entender as palavras que ele murmurava. Elas chegavam até mim lentamente, como se eu as tivesse esquecido, e enfim consegui tirar algum sentido dos sons. Era isto:  

"Encontrou o Emblema Amarelo?" 
"Encontrou o Emblema Amarelo?" 
"Encontrou o Emblema Amarelo?"



Porém, é importante ressaltar que há dois tipos de histórias fantásticas neste livro, como já disse acima, uma mais voltada para uma realidade à parte, e uma segunda com um pé "no real", com histórias menos voltadas ao suspense e terror, mas ao sofrimento e decepções da vida regular, entretanto as conexões se fazem durante todo o livro, em menos intensidade na segunda parte com a primeira, mas como mostra as notas presentes (em todos os contos) pequenas referências nos levam a realidade fantástica dos primeiros contos e, novas referências se associam na segunda parte. 

É um livro riquíssimo, tanto na construção do texto, quanto nessa capacidade de Chambers de dizer, mas ao mesmo tempo não dizer muito, de nos intrigar nas sombras e nas entrelinhas. Melhor livro de suspense que eu já li.

Até mais!

2 comentários:

  1. Eu adorei a série e comprei o livro assim que lançaram. Infelizmente, recebi meu exemplar em um momento complicado e não consegui avançar na leitura. Mas as primeiras páginas já me deram uma boa amostra do que vem pela frente. E agora você ainda diz que é o melhor suspense que já leu... preciso dar um jeito de ler isso logo!
    bjo

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  2. Também conheci o livro por conta de True Detective, ainda não li, mas dizem que os dois primeiros contos são sensacionais.

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