Mar Azul de Paloma Vidal

04 junho 2014

Mar Azul escrito pela argentina Paloma Vidal, é um daqueles livros que simplesmente não conseguimos explicar muito bem, seja pela estrutura do texto que apresenta características peculiares, quanto pela história em si, que é muito particular e introspectiva. 

Vou tentar escrever alguma coisa lógica sobre (e estou tentando há dias), espero que fique ao menos compreensível. 

Mar Azul
Paloma Vidal
Rocco
2012 - 176 páginas


As primeiras páginas do livro é composta por um diálogo entre duas meninas, e tudo parece um tanto confuso, sem sentido de início, são diálogos simples de duas garotas dividindo confidências, opiniões e brincadeiras, porém sem nenhuma informação de quem são ou onde estão. Na sequência, Paloma narra a história de uma dessas meninas, que no ponto subsequente do texto, já é uma idosa. 

Esta senhora de aproximadamente 70 anos está envolta com sua rotina, já bastante dificultada pelos fatores da idade. Entretanto, apesar da idade avançada ela ainda tenta se reconciliar com a figura de seu pai, que a deixou ainda jovem e morreu há pouco tempo. Ela encontra diários de seu pai, que passou a sofrer com Alzheimer na velhice, e que deixou parte de si escrito naquelas folhas, partes desconexas em grande parte, mas é através desses diários e anotações que a nossa personagem principal tenta entender seu pai e sua própria história, escrevendo também atrás das mesmas folhas deixadas por seu pai, sua própria história, medos e inseguranças. 

Há ali também uma certa referência à ditadura, relatado através da presença de soldados, e desaparecimentos relacionados a política, provável referência a ditadura argentina, país de nascimento da própria escritora. Porém, não há referência direta, nem a Argentina e muito menos  a cidade do Rio de Janeiro, onde provavelmente nossa personagem emigrou, o texto fala por si sem mencionar informações exatas. 

Acredito que este livro pode ter níveis de identificação diferentes, seja na amizade entre as duas adolescentes, na relação com os pais, em relação a relacionamentos ou mesmo por causa das dificuldades geradas pela idade avançada de nossa narradora na segunda parte do livro. Eu me identifiquei com a quase obsessão que essa mulher tem pela água, pelo mar. 

O mar, a água para ela é um lugar de alento, de segurança, de refúgio. A imensidão que um lindo mar azul traz é uma sensação reconfortante, como que se você estivesse abraçada por um infinito que te protege, o mar é ao mesmo tempo uma solidão imensa, mas uma presença reconfortante. Toda vez em que ela se sentia perdida e confusa, era a água que a reconfortava. 

De alguma forma o processo de escrever sua própria história no avesso da história de seu pai, era uma maneira de o perdoar e entender e ao mesmo, compreender suas próprias escolhas. De entender o que o levou a tomar certas escolhas e da sua forma de se comportar diante da própria paternidade. Como eu já disse,por ser uma livro muito denso e cheio de ramos diferentes na história, há diferentes níveis de identificação e interpretação, tomamos o rumo que melhor fala conosco. 

Este livro requer uma dose de sensibilidade, porque a conexão de tudo está nas entrelinhas, é um livro bastante poético, cheio de metáforas, feito com capítulos curtos que nos dão pedaços de uma história longa e difícil.  

Mar Azul pode parecer um livro pequeno, mas é de uma intensidade de sentimentos ímpar, é um grande quebra cabeça de memórias e sentimentos. 

Até mais! 


3 comentários:

  1. Mel, eu gostei muito desse livro. Ele é intenso e bem doído (a violência relatada na primeira parte me fez parar para respirar um pouco). É um livro difícil de resenhar pela própria estrutura do texto. Parabéns pela resenha :)

    beijo,
    Pipa

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  2. Esse livro é mesmo incrível, Mel!!
    Adorei sua resenha!! ♥

    Xerinhos, lindeza!

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  3. Oi, Mel!
    Ah, fiquei tão tocada pela sinopse. Sou apaixonada por livros mais sensíveis, com metáforas e que contam histórias que mexem com o leitor. Com certeza vou comprar assim que puder, já anotei o nome aqui.

    Beijos, Gabi Prates
    Palácio de Livros

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