Esta Valsa é Minha de Zelda Fitzgerald

23 junho 2014

Zelda Fitzgerald, é mais conhecida como a esposa de F. Scott Fitzgerald, e Esta Valsa é Minha, publicado em 1932 nos Estados Unidos, foi o único romance escrito por Zelda. 

Esta Valsa é Minha 
Zelda Fitzgerald
Companhia das Letras
2014 - 304 páginas
Este livro foi cedido pela editora, por escolha pessoal, para resenha.

Este livro foi escrito como uma catarse pessoal da escritora, enquanto estava internada em um hospital psiquiátrico. Zelda narra nas páginas de seu único romance a sua própria vida, desde a infância até o casamento com o escritor F. Scott Fitzgerald, obviamente utilizando outros nomes, a escritora busca de alguma forma entender a si e o mundo que a rodeia. 

Alabama, a personagem que caracteriza Zelda, começa o livro ainda jovem e conta nas suas primeiras páginas, a relação com as irmãs e com os pais. Filha de um juiz, bastante repressor, uma dona de casa, e de duas irmãs mais velhas, todas viviam no período em que iniciava-se uma mudança de paradigma para as mulheres, uma certa abertura em relação ao comportamento sexual, por isso todas as três tem seus momentos com diversos namorados e relacionamentos, misturado pela repressão do pai e uma certa ausência e complacência da mãe. 

Zelda detalha um pouco para nós a infância e a juventude de Alabama, até o momento quando conhece David, que a pede em casamento. Alabama até então acostumada a se relacionar com diversos homens, aceita o pedido de casamento de David de certa forma fria e estranha. 

A vida dos dois é envolta em muitos gastos, David se torna um artista famoso, e o que ganham, gastam em festas, viagens, uma vida absolutamente boêmia e diferente daquela de seus pais. 

O livro pode parecer muito feliz por mostrar Alabama e David em constantes festas e viagens, mas não é esse o tom que senti no livro, senti uma narrativa triste, como se Alabama estivesse sempre buscando algo a mais, mas nunca encontrando. A sensação é que a personagem está sempre numa constante insatisfação consigo mesmo, com os outros e com a vida. 

A narrativa não é das mais fáceis para acompanhar, talvez pela construção feita por Zelda, quando estava no hospital e a intenção não fosse diretamente a publicação, a sensação é de um texto truncado, denso e lento, muito lento. Mudanças repentinas, histórias incompletas também contribuem para que em certos momentos, nos sintamos perdidos em toda aquela história, cheia de nomes e viagens que de repente começam e terminam. 

Confesso que não me dei muito bem com a narrativa, para mim muitíssimo arrastada e não empolgante, porém há que se entender a forma como Zelda criou essa história, como uma catarse pessoal, no meio de uma situação bastante delicada. Certamente é um livro que darei uma nova chance, principalmente porque Fitzgerald tentou contar a mesma história em seu livro, Suave é a noite, e por Zelda colocar sempre David em segundo plano, como se Alabama fosse o centro de absolutamente tudo, das decisões, das escolhas, da vida do casal, David apesar de estar em quase todas as cenas relatadas no livro, fica sempre em segundo plano, como uma sombra de Alabama, a estrela do livro, por isso tenho curiosidade de conhecer a narrativa de F. Scott Fitzgerald. 

Esta edição da Companhia das Letras possui prefácio da edição brasileira de 1986, escrito por Caio Fernando Abreu e também o prefácio da edição americana de 1968, com uma capa lindíssima e edição muito bem cuidada. 

No fundo acho que esse é um livro que não agrada a todos, por sua estrutura confusa, ou a falta de uma. É um livro que deve ser lido associado a todo o contexto que o envolve, tanto a forma e porque Zelda escreveu, como por toda a questão pessoal que o envolve. Pretendo em breve ler a "versão da história" de Fitzgerald e veremos se tenho uma nova opinião sobre esse livro. 

Até mais!



3 comentários:

  1. Eu tentei ler O grande Gatsby e não consegui, achei a escrita muita arrastada, chata mesmo e agora que você fez essas observações, acho que era problema de marido e mulher (brincadeira), mas o que eu vejo falar é que a Zelda tinha muitos problemas pessoais e não tinha o mesmo talento que Fitzgerald e alguns estudiosos dizem que ela sentia inveja do marido. Esse livro foi uma tentativa dentre várias que ela fez, talvez o que ela conseguiu produzir de melhor.

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  2. Como te falei, Mel, tenho curiosidade com esse livro e essa edição da Cia ficou linda, realmente. Devo ler em breve Suave é a noite e talvez eu vá atrás de ler Esta valsa é minha pra comparar. :-)
    Beijinho!

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  3. Oi, Mel.
    Fiquei bastante interessada em ler esse livro após ler uma outra resenha, a sua me deixou com mais curiosidade porque eu não sei se vou gostar, mas o interesse continua vivinho, rs.
    Assim que conseguir emprestado (ou em e-book, se tiver) esse livro, com certeza, o passarei na frente de todos e depois quero ler "Suave é a noite". :)

    Beijos!

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