17 março 2014

Resenha: Doze anos de escravidão de Solomon Northup

Quando o filme entrou em cartaz foi então que muitas pessoas, assim como eu se deram conta de que 12 anos de escravidão, contava uma história real. Não apenas uma história, mas uma história relatada e imortalizada através de um livro escrito pelo próprio protagonista da história, Solomon Northup, o homem livre que foi sequestrado e levado a escravidão por 12 anos. 

Doze anos de escravidão
Solomon Northup
Penguin-Companhia das Letras
273 páginas
2014
Este livro foi cedido como cortesia pela editora para resenha.


O livro foi publicado em 1853 pela primeira vez , no mesmo ano da libertação de Solomon. Ele foi sequestrado em 1841 e liberto da plantação de algodão onde era escravizado em 1853, depois de um processo longo de tentativas de se libertar. 

Solomon Northup era filho de um homem, inicialmente escravo, que foi liberto. Essa mesma família, que o libertou, foi de onde o pai de Solomon herdou seu sobrenome Northup. Solomon conta que a cada novo proprietário, o escravo mudava de nome e assumia o sobrenome de seu atual dono. 

Solomon ao contrário da maioria da população negra de sua época foi alfabetizado, tocava violino e junto com sua esposa, prosperava financeiramente. E foi uma oferta de trabalho feita a ele, que o levou a Washington onde foi sequestrado e vendido como escravo. Acordando acorrentado certo dia, não se recordava de como tinha chegado ali, ou quem o tinha levado. 

As descrições após esse acontecimento são todas muito densas e duras, ao tentar dizer que aquilo deveria ser um erro, que ele era um homem livre, apanha e é chicoteado quase até a morte. Momentos assim passam a ser corriqueiros em determinados momentos da história de Solomon, que apesar de ser livre teve de se manter quieto e humilhado para que pudesse sobreviver a tempo de ser resgatado. 

Não fugindo da óbvia analogia com o filme, o livro é narrado de forma muito fria por Solomon, parece até que nosso narrador não é a personagem principal da história, há um certo distanciamento na hora de contar e narrar fatos tão duros, os quais teve de enfrentar, aliás não só ele, outros relatos também são igualmente narrados, escravos que eram tratados de forma sub-humana, humilhante, encarados como simples mercadorias, e são esses relatos que deixam o livro bastante difícil de ser lido em alguns momentos. O mal estar causado por tais atrocidades é inevitável, e nesse ponto o livro ganha do filme de 10 a 0. Obviamente no livro os acontecimentos são muito mais detalhados, todos sabemos as atrocidades que foram cometidas durante as épocas de escravidão ao longo da história de vários países, mas saber de longe é uma coisa, saber através de um relato real é completamente diferente, saber não corresponde a sentir, a conhecer de forma próxima, o saber apenas pressupõe um certo distanciamento, mas quando nos encontramos com histórias como as de Solomon o saber se transforma em conhecer e isso é impactante. 

Pode-se até dizer que a escravidão está longe de nós, mas as suas raízes ainda podem ser vistas por aí, em forma de preconceito e exclusão social histórica. Daí a importância de nunca se esquecer do passado, vergonhoso, porém que nos ensina que a humanidade é capaz de criar "verdades" catastróficas. 

O livro tem uma narração muito simples, um texto muito fluído, além disso é fácil notar a percepção de liberdade de Solomon durante a narração dos eventos, o quanto o seu conhecimento, sua formação dada pelo pai, a liberdade  que lhe era por direito, deu a ele uma noção ampla de seus direitos, do quanto o processo de escravidão era não só injusto, mas desumano e cruel. Solomon após a sua libertação se tornou um ativista e poucos anos depois de sua libertação simplesmente desapareceu, ninguém sabe o que lhe aconteceu, onde e como morreu. 

Esperamos apenas que sua luta pela liberdade, não lhe tenha no final custando sua vida e de sua família no final de tudo. 

A edição da Penguin-Companhia das Letras é bastante interessante pois, conta com o prefácio de 1853 e além disso, um posfácio que contextualiza a história não só de Solomon, mas a escravidão norte-americana e as diferenças entre o norte e o sul dos Estados Unidos durante este período. E esses detalhes são enriquecedores para compreender melhor aquilo que acabamos de ler da história de Solomon. 

Doze anos de escravidão é um daqueles livros que deveriam ser de leitura obrigatória, porque não é entretenimento é história, história que parece distante de nós mas, que deixou até hoje suas raízes e suas consequências. 

Até mais!


Um comentário:

  1. Oi, Mel!
    Imagino que o livro deva conter detalhes ainda mais angustiantes que o filme. E não sabia do prefácio e posfácio dessa edição. Sem dúvida, um diferencial interessante.
    bjo

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