Resenha: The Bell Jar de Sylvia Plath

03 março 2014

Graças a Michelle do blog In a handfull of dust voltei meus olhos a algum tempo para a obra da Sylvia Plath, primeiro foram os poemas e depois sua biografia. 

“The silence depressed me. It wasn't the silence of silence. It was my own silence.”

The Bell Jar
Sylvia Plath
2005
Harper Perennial Modern Classics
244 páginas


Por fim resolvi ler seu único romance, com um tom fortemente autobiográfico, é um convite muito interessante à obra de Sylvia. Confesso que tenho uma curiosidade, se assim posso dizer, por eventos extremos na história da humanidade, gosto de mergulhar em obras que de alguma forma nos dão um ponto de vista sobre esses acontecimentos. Confesso que a história de vida turbulenta da autora foi como um âncora que me arrastou ainda mais para ler sua obra. Li esse livro em inglês porque, infelizmente a tradução que tínhamos disponível está esgotada e impossível de achar até em sebos, a única solução no momento é ler na língua original, enfim fiz isso. 

The Bell Jar narra a história de Esther Greenwood, uma moça jovem, estudante e que tem ali narrado o início de sua vida adulta, e por isso entende-se, sua entrada nos relacionamentos amorosos, sexo e trabalho. Ela viaja para Nova York para estagiar durante alguns meses em uma revista para aprender a rotina de trabalho, além de participar de palestras e cursos. Sua intenção maior é ser escritora e procura dentro dos seus estudos universitários e desta oportunidade se aprimorar nesta profissão. A narração da história se dá então a partir desse ponto, em Nova York e sua primeiras experiências numa cidade grande, com muita gente diferente e uma suposta grande oportunidade de trabalho. 

A vida de uma mulher na época em que é narrado o livro, não era de grandes expectativas, a carreira era importante até se encontrar um bom marido para casar, e com isso mergulhar o resto de seus dias numa vida doméstica e criação de filhos. É nítido um certo incômodo de Esther com esse destino que lhe é traçado e esperado, a questão da vida feminina e suas expectativas é um ponto fortíssimo também do livro. 

“I was supposed to be having the time of my life.”

Esther  vai narrando suas experiências, suas expectativas e medos, ao mesmo tempo que fica claro sua descida inevitável a uma depressão profunda. 

As primeiras páginas do livro são um tanto arrastadas, uma narração lenta de festas, amigos, encontros amorosos, expectativas em relação ao trabalho, expectativas em relação a vida que ela acha que deveria ter mas não tem, em relação as pessoas que a frustam porque não agem como ela imaginava que agiam, enfim é uma queda vertiginosa para a apatia, e finalmente a depressão. 

“If you expect nothing from anybody, you’re never disappointed.”

Sylvia Plath
Quando Esther inicia essa queda, a narração se torna mais intensa e emocional. É impossível não se sentir afetado, de alguma forma que seja com a vida de Esther, esse ponto acho que é o grande mérito da escrita da Sylvia, mesmo quando no início do livro ele se torna um tanto arrastado, penso que essa mesma característica é presente na vida de Esther, ela está se arrastando e deixando de lado muitas coisas e, principalmente de se envolver com pessoas e aquilo pelo qual ela está buscando na carreira. É a dificuldade, inerente ao processo de depressão, de ver as coisas de uma forma negativa e de certa forma cansativa. O livro se torna mais ágil e dinâmico, pois com o decorrer dos acontecimentos, e da evolução da doença de Esther, há uma série de acontecimentos, muitos deles tristes e dolorosos que dão um tom mais emocional para o livro e é nesse ponto que nosso envolvimento se torna fatal, de alguma forma você vai ao tratamento com a personagem, você mergulha em seus medos e dúvidas. 

A escrita de Sylvia é fluída e simples, mesmo em inglês para quem tem certo domínio da língua não é um livro de difícil leitura. 

“To the person in the bell jar, blank and stopped as a dead baby, the world itself is a bad dream.”

Entretanto, que fique meu alerta, não acho que este seja um livro para ler em qualquer momento, como eu disse o envolvimento emocional é inevitável. Mas, é sem dúvida um clássico do século XX que merece e deve ser lido, a grande pena é que Sylvia não nos deixou mais de sua escrita, por isso que possamos aprecia-la em doses homeopáticas. 

Até mais!

12 comentários:

  1. Então, Mel... por ser um livro denso, quero muito ler mas, acho que ainda não é a hora. Esperarei mais um pouco. Mas que estou louca para ler, estou! Adorei tua resenha: clara, precisa e com emoção. :) beijo e bom carnaval aí

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    1. Obrigada Quel e realmente tem que ler no tempo certo.
      bjos

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  2. Esse livro é daqueles que precisa do momento certo, como você falou, e não acho que seja o meu caso agora, mas ao mesmo tempo fico curiosa por ser tão falado e por tantas pessoas gostarem tanto. =) Beijinho, Mel!!!

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    1. Tem sim Lua, tem que ser no momento adequado.
      bjos

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  3. Linda resenha Mel!
    Como já disse esse é um dos livros que mais gosto, Sylvia tem esse poder de te deixar estupefata, angustiada e mergulhar junto com ela nesse abismo!
    Beijo enorme!

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  4. Olá,li há pouco tempo The bell jar e meio que ainda não sei o que achei do livro.Confesso que por mais arrastada que fosse a história no início, achei que a Esther entrou em depressão profunda de modo brusco,foi bem surpreendente. Pretendo ler os poemas da Sylvia,pois não conheço nenhum:(
    beijo

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    1. Oi Laís, os poemas são lindos tb, valem muito a pena!
      bjo

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  5. A Redoma de vidro é um livro muito denso...foi um livro que me fez ficar triste e reflexiva durante dias mas isso não tirou seu mérito, só acrescentou. Gosto de livros que mexem dessa maneira com o íntimo da gente e Sylvia soube fazer isso com maestria.
    Gostei da tua análise sobre a questão do ritmo que ela usou para escrever. Eu não havia pensado nisso, mas até que faz muito sentido. Eu o li ano passado e já estou afim de reler. Mas vou esperar o momento certo.

    Abraços,
    Tamara Costa
    http://www.doseliteraria.com.br/

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    1. Eu tb fiquei um tanto apreensiva depois de ler, mas acho que isso é mérito da autora que escreve uma história capaz de nos atingir fisicamente.
      bjos

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  6. Sua resenha é muito boa. Eu li esse livro no ano passado e fiquei um pouco surpresa não com o conteúdo do livro, mas com o fato de que passados muitos meses, ainda me impressionava tanto. Acho que o medo daquilo tudo voltar é o mais impressionante. Não é um livro para todo mundo e não recomendo para quem tenha depressão...

    Beijos,
    Renata
    www.agua-marinha.net

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    1. É vdd Nereida, eu acho que é livro que deve ser lido no tempo certo, talvez qualquer um possa ler, mas num momento adequado da vida.
      bjos

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