Azul é a cor mais quente de Julie Maroh

03 fevereiro 2014

Há semanas venho progressivamente aumentando minha curiosidade sobre uma HQ, recentemente lançada, Azul é a cor mais quente da francesa Julie Maroh. 

Duas razões são a causa dessa minha empolgação em ler essa HQ, a primeira delas é o burburinho que o lançamento do filme homônimo causou, a segunda é que muitos amigos queridos leram e foram tantos elogios que é impossível não ficar curioso, aqui particularmente Patricia do Alma do meu sonho e a Michelle Henriques do ... In a handfull of dust. Aliás devo um agradecimento duplo a Michelle, primeiro por ter me incentivado a ler e segundo pelo empréstimo do livro. 

Julie Maroh é uma escritora francesa, autora e desenhista de Azul é a cor mais quente, além de outras graphic novels. Originalmente lançado na França em 2010 o livro já foi traduzido para várias línguas e adaptado ao cinema. 

Azul é a cor mais quente
Julie Maroh 
Editora Martins Fontes - Selo Martins
2013
158 pgs


Acredito que a história desta HQ é bem conhecida da maioria das pessoas, Julie Maroh divide conosco a história de Clémentine e Emma, Cleméntine uma adolescente que começa a passar pela descoberta da sexualidade e do amor, tão comum para essa idade, porém ela percebe que suas sensações e desejos são diferentes da maioria de suas amigas, não correspondia ao que "esperavam de uma menina adolescente". Clémentine descobre o amor quando se depara com a menina dos cabelos azuis, Emma. 




O livro trata de amor entre duas pessoas, porém como já sabemos, a relação por ser entre duas mulheres é envolta em muitas situações dolorosas e cheia de conflitos. Dificuldades de aceitação vem de todos os lados, dos amigos que rotulam e abandonam, dos pais que não aceitam a situação e da própria pessoa, que envolta por tanto preconceito não consegue se aceitar. A maioria desses conflitos são vividos especialmente por Clémentine que experimenta essa descoberta de si mesma. 

O mais interessante é a forma delicada e sensível com que é tratada a história de amor, desde o traço dos desenhos, até a forma como Julie resolve contar a história. E é nesse ponto que acredito que a HQ é superior e muito ao filme. Já haviam comentado comigo essa diferença, porém como na época não havia assistido não podia opinar. Após ver o filme, percebi que a história da HQ não está inteiramente completa no filme, talvez a parte mais trágica da história não é contada. O livro me deixou com um sabor amargo ao final, e isso não aconteceu com o filme, fiquei esperando que aquele filme me emocionasse e me tocasse de forma muito delicada como acontece com a obra de Julie Maroh, mas não foi isso que aconteceu. 




Obviamente o filme é muito bem feito, mas a HQ é muito mais tocante e emocionante, porque trata de amor, um amor conturbado, que sofre enormes preconceitos porque o mundo em que vivemos quer trazer limites e barreiras a esse mesmo amor, mas Julie Maroh o trata de forma digna e sensível. Além disso a história começa quando ambas são bem jovens, Clémentine com apenas 15 anos e Emma um pouco mais velha, mostrando assim ao longo do livro o amadurecimento, até de certa forçado de ambas as personagens. E nos mostra também que relacionamentos são difíceis, mantê-los mais ainda, independente de quem esteja neles. 

Até mais!

7 comentários:

  1. Nossa, Melissa! Muito Obrigada por fazer esta resenha...pois me interessei em ver o filme, mas antes não sabia que tinha hq e quando soube fiquei com mais vontade de ver o filme e ler o quadrinho, mas acabei vendo primeiro o filme e não gostei tanto dele. Nisto, fiquei me perguntando se valia a pena ler o hq...agora após sua resenha me empolguei de novo e vou lê-lo.
    Muito Obrigada,
    Jéssica do blog O Feminino dos Livros (ofemininodoslivros.blogspot.com.br)

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  2. Oi, Mel! Que resenha bacana!
    Mais uma que me convenceu (ainda mais!!!) a ler essa HQ.

    Assisti o filme, gostei mas senti falta de algo nele... Passa tudo tão rápido no longa e eu fiquei em alguns momentos desejando saber o que se passava na cabeça das personagens.

    Quero ler a HQ em breve, vou algum dia na livraria, pegar na estante, sentar no chão e ler por lá mesmo :)

    Beijos!

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    1. Leia sim Maura, acho que vc vai gostar !!
      bjo

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  3. Mel, eu gostei muito da HQ e também fiquei com um aperto no coração ao final. Achei a história bonita, delicada e forte nos momentos certos.
    Ainda não vi o filme, mas até o fim da semana acho que vejo ;)

    beijo grande,
    Maira

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    1. Eu confesso que gostei bem mais da HQ do que do filme Maira, mas vale a pena assistir.
      bjos

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  4. Resenha 100%. A HQ não conheço (ainda). O filme ... faltou um pouco mais de sutileza ... mais caras, bocas ... e olhos ... pra ficar mais bonito além de um pouco triste. Mas o tratamento do tema é impecável. Estava mesmo na hora mesmo de surgir algo por aqui sem os clichês e sem o tratamento BOMBÁSTICO das novelas

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