O amor de uma boa mulher de Alice Munro

20 janeiro 2014

Alice Munro é uma escritora canadense, hoje com 82 anos, mais conhecida como a última vencedora (2013) do prêmio Nobel de Literatura. Alice é uma escritora de contos, e essa foi a grande surpresa no prêmio Nobel de 2013, que uma escritora estritamente de contos tenha vencido o prêmio. Obviamente ninguém tira o mérito de seu trabalho, há quase meio século se dedicando a literatura, seu primeiro livro foi editado em 1968, Dancing of the happy shades, uma compilação de contos , o último lançado foi em 2012,  Dear Life (Vida Querida,  Companhia das Letras, 2013). 

Os contos escritos por Alice Munro, são contos mais longos, em comparação a outros autores cujos contos, correspondem a 10 menos páginas, os contos de Alice normalmente tem por volta de 50 páginas. 

O amor de uma boa mulher 
Alice Munro
Companhia das Letras
373 páginas 
2013
Este livro foi cedido como cortesia pela editora


O livro O amor de uma boa mulher (The Love of a Good Woman), lançado pela Companhia das Letras (2013), tem em sua composição 8 contos, sendo o primeiro deles aquele que dá nome ao livro, os outros são Jacarta; A Ilha de Cortes; Salve o ceifador; As crianças ficam; Podre de rica, Antes da mudança; O sonho de mamãe. O livro foi escrito originalmente em 1998. Todos os contos estão centrados em contar histórias de mulheres e suas famílias, passados todos no Canadá, esse é o mote comum das obras de Alice. 

É da vida comum que flui toda a história de seus contos, do nascimento de um filho, do casamento ou da falta dele, da traição, sexo, a relação com os pais, todo o contexto da vida feminina é abordada em suas histórias. Histórias essas, que não tratam de enredos fantásticos ou histórias complexas, tratam da vida comum, do dia a dia, quase daquele cotidiano que todos temos, mas aí está a grande qualidade da autora que através do cotidiano retira ótimas histórias. Quase todos os contos se passam entre as décadas de 40 e 50, com uma exceção, cuja história começa em 1974. 

Não sou autora, mas acredito que retirar crônicas bem escritas de acontecimentos corriqueiros não seja uma tarefa muito simples. Alice conta suas histórias, de uma forma em que tempo e espaço modificam-se a todo momento. No meio dos contos, a autora altera completamente o foco de suas histórias, transportando seu leitor ao passado ou futuro da personagem, e segue fazendo isso, até que em determinado momento, todos os pontos são interligados, como que a cada novo fato apresentando, a cada nova informação que a autora apresenta, seja capaz de mudar o curso da vida e da história contada. 

Munro cria personagens um tanto marginalizados para a época, que vivem revoluções em questões diárias, um casamento que termina porque a esposa escolhe ir embora com o diretor da peça de teatro, a mãe que não tem empatia pela filha,  sexo, aborto, traição, ou um assassinato escondido por questões menores, enfim são grandes acontecimentos na vida de uma pessoa porém, contextualizado-os em eventos cotidianos, parecem menores. Tudo isso construído sob a construção e desconstrução da história, através da mudanças repentinas de espaço e tempo, característica forte da escritora. 

É um livro intenso, denso e ao mesmo tempo muito simples. 

Até mais !

7 comentários:

  1. Mel que resenha gostosa, oia que nunca me interessei por esta autora, mas agora tudo mudou.

    Hug lindona

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  2. Venho ouvido falar aqui e ali dessa autora em 2013, fiquei sabendo hoje que foi a ganhadora do Nobel, e na verdade tinha acabado de adicionar um dos livros dela no good reads logo antes de vir ver seu blog , olha o cosmos ai! hahahaha


    Bjs ;)

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    1. Ae tá vendo Filipe é o destino te mandando ler Alice Munro!!
      bjos

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  3. Só recentemente descobri que gosto de contos. Acho que não tinha encontrado ainda uma forma satisfatória de lê-los. Alice Munro tem tudo para me agradar, já que adoro histórias de gente comum, que tratam de problemas cotidianos, mas que de alguma forma conseguem ser especiais. Vou começar por esse livro então. ;)
    beijo

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    1. Eu tb Michelle não sou uma pessoa que gosta de todos os contos que lê, depende muito de como o autor consegue construir a história.
      bjos

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  4. Mel, impecável sua resenha como sempre!
    Eu amo contos e estou curiosíssima para ler a Alice, agora ainda mais!
    Beijo!

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