O Teu Rosto Será o Último de João Ricardo Pedro

17 dezembro 2013

O teu rosto será o último, mais um livro da Coleção Novíssimo da LeYa é obra de estreia do escritor português João Ricardo Pedro. Narra a história dos homens da família Mendes, desde o avô até o neto, que se mostra um pianista precoce. 


O Teu Rosto Será o Último
João Ricardo Pedro
LeYa 
2013
158 páginas
Este exemplar foi cedido pela editora LeYa para resenha

Grande parte da narrativa tem como foco Duarte, o neto da família e a forma como cresce imerso nas histórias do avô, um médico de uma região interiorana de Portugal, que viveu sua juventude durante a ditadura portuguesa e de seu pai, que retornou completamente afetado pela guerra com a então colônia de Portugal, Angola. Duarte cresce nesse ambiente, cheio de histórias e influências. 

Duarte se mostra como um pianista precoce desde o seu primeiro contato com o piano, e esse "dom" é aclamado pela família, quase como um "salvamento" de toda a história do avô e do pai. Duarte cresce com esse peso, com esse dom e com todas as expectativas geradas por isso. 

O livro é dividido em capítulos curtos em sete partes e não narra uma história cronológica, mas relata eventos de diversos personagens importantes na vida de Duarte, de seu avô, pai, mãe, avó. Todos os importantes que foram determinantes para contar o estado atual da família.

É um drama familiar, com um leve toque de humor, narrado quase como que por pequenos contos que se "juntam" ao final. 

Confesso que a narrativa me envolveu bastante no início, mas não permanece dessa forma o livro todo. Não que a história não seja boa, mas acredito que a maneira como José Ricardo resolveu contar a história, me pareceu um pouco confusa as vezes, como que fios soltos que vão se interligando muito tardiamente ou permanecem soltos e não são explicados. É uma estrutura de texto diferente, por isso requer toda a atenção de seu leitor para não perder nenhuma informação durante a leitura.

Eu aprecio muito histórias que relatam sobreviventes de guerras, e as sequelas físicas e psicológicas que essas pessoas apresentam após o retorno. Sempre me impressionam demais personagens que mostram essas características e por isso aqui destaco como personagem, o pai de Duarte, que apresenta todas os sintomas do que chamam de estresse pós-traumático, resultado dos fatos ocorridos e  vividos em combate, relatos assim demonstram como pessoas expostas a situações como essas, sofrem e trazem isso para dentro de suas casas. São pessoas que sobreviveram fisicamente, porém muitas vezes se sentem mortas, por sentirem que não se encaixam mais a sociedade depois de tudo que vivenciaram em uma guerra.

Apesar de tratar de eventos grandiosos da história portuguesa como a Revolução dos Cravos, a história de Duarte é contada narrando acontecimentos e memórias das personagens que o circundam, é uma história simples, de gente simples, quase como contos de uma vida cotidiana, que tem também suas tragédias, que não ocorrem como na vida dos grandes heróis, mas são pequenos acontecimentos que definem o todo. 

É uma história sobre emoções, amor, família, tragédias cotidianas, e sobre a vida que muitas vezes é um tanto ingrata por razão nenhuma.

Até mais!

6 comentários:

  1. Estou com esse em casa pra ser lido em 2014, e confesso que o comprei mais pelo título, bem como No meu peito não cabem pássaros!!! :o)

    Xerinhos, frõ!!

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    1. depois que você ler Paty, quero saber o que achou !
      bjoss

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  2. Ainda não tinha lido resenha desse livro. Também gosto de histórias de sobreviventes e sua luta para se encaixar no mundo (embora nesse caso não seja o personagem principal, né?). Mas é um drama familiar, e isso me agrada. Ficarei de olho para ver se consigo em alguma troca ;)
    bjo

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  3. Esse deve ser um daqueles livros em que, ao decorrer de cada fato, eu poderia imaginar uma cena para uma adaptação de cinema.
    Fiquei muito curioso para saber mais sobre esse livro, justamente por ser contado de uma maneira não muito convencional. O novo sempre gera estranhezas no início, afinal.

    Abraços.

    www.voudebalao.blogspot.com.br

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    1. Dá pra imaginar sim, este livro sendo adaptado ao cinema, e seria uma boa história para ver na telona !
      bjos

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