Conversando sobre: Dom Casmurro - Machado de Assis

18 setembro 2013

Começarei como Machado costumava escrever em seu livro Dom Casmurro, bem caro leitor, sei que é muita pretensão da minha parte querer escrever uma resenha sobre um livro (mais conhecido como preciosidade) de Sr.Machado de Assis. Eu sei, eu sei, por isso me perdoem esta ousadia. Compreenda que não se trata de uma resenha, mas uma quem sabe pseudo resenha ou uma opinião, ou simplesmente mais do que mesmo que você já ouviu por aí. 


Dom Casmurro
Machado de Assis
255 págs
Orbis editora
2011


A questão é que, eu quero falar sobre este maravilhoso livro que acabei de ler.


"Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração - se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto."

Acredito que é de domínio público e notório o assunto que é abordado em Dom Casmurro, mais do que provavelmente você ter lido (obrigatoriamente ou não) na escola, já deve ter visto referências em outros livros, textos, comentários, adaptações ao cinema ou televisão. Enfim a história de Bentinho a.k.a Dom Casmurro e Capitu é mais do que referenciada em diversos meios. Porém, não me atreverei a divulgar, pensando que pode haver alguém na face dessa terra que ainda não leu Dom Casmurro. 

Dom Casmurro é um romance escrito por Machado de Assis em 1899, foi escrito para sair diretamente em livro, ao contrário de outros romances do autor que saíram em folhetins como Memórias Póstumas por exemplo. 

Dom Casmurro é uma autobiografia ficcional, de Bentinho Santiago, nosso narrador, que resolve nos contar principalmente a história de sua relação amorosa com a sua vizinha, Capitu. Desde criança os dois mantém uma relação maior do que a amizade, porém desde o início vários comentários sobre a menina são feitos por parentes e amigos de Bentinho e também pelo próprio narrador, comentários que vão acontecendo ao longo da história e construindo a "atmosfera" para o grand finale, que cá pra nós nem tão final é assim, já que deixa a grande questão em aberto.


"Como vês, Capitu, aos quatorze anos, tinha já idéias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois; mas eram só atrevidas em si, na prática faziam-se hábeis, sinuosas, surdas, e alcançavam o fim proposto, não de salto, mas aos saltinhos."


Apesar desse amor todo, Bentinho tinha um impedimento, a promessa de sua mãe de manda-lo ao seminário devido a uma promessa feita por ela. Porém as coisas aos poucos se resolvem, e no final das contas ele acaba não terminando como padre mas, sim se casando com Capitu, olhos de ressaca ou como José Dias a nomeou cigana oblíqua e dissimulada





Esse livro tem como temática central principalmente o ciúme, mais do que a suposta traição. Porque é o ciúme que faz com que Bentinho aos poucos comece a criar dúvidas e levantar acusações contra Capitu. 

O livro é como um jogo de xadrez que aos poucos as peças (ou acontecimentos) são jogados a mesa, na ordem e da forma como seu jogador, Bentinho prefere. Por isso, é complexo dizer se o que aconteceu, realmente aconteceu, porque afinal de contas o livro é baseado na opinião do nosso narrador, contado sobre a sua visão, ou seja em primeira pessoa.  
"(...)minha mãe, dizendo tio Cosme que ainda queria ver com que mão havia eu de abençoar o povo à missa, contou que, dias antes, estando a falar de moças que se casam cedo, Capitu lhe dissera: "Pois a mim quem me há de casar há de ser o padre Bentinho, eu espero que ele se ordene!" Tio Cosme riu da graça, José Dias não dessorriu, só prima Justina é que franziu a testa, e olhou para mim interrogativamente. Eu, que havia olhado para todos, não pude resistir ao gesto da prima, e tratei de comer. Mas comi mal, estava tão contente com aquela grande dissimulação de Capitu que não vi mais nada, e, logo que almocei, corri a referir-lhe a conversa e a louvar-lhe a astúcia. Capitu sorriu de agradecida.
- Você tem razão, Capitu, concluí eu; vamos enganar toda esta gente.

- Não é? disse ela com ingenuidade."


Aí cabe a pergunta, nossa narrador Dom Casmurro, é confiável ?  Podemos confiar na sua percepção sobre a realidade que o cerca ? Acredito eu que não. Ainda no final da história, Bentinho narra os fatos de forma corrida, por cima, dando fatos aleatórios e não muito consistentes, sem aprofundar muita coisa cita suspeitas que teve ou que relembrou sem muito citar e narrar ao seu leitor. Justifica certos esquecimentos por causa da falta de memória, enfim tudo isso dificulta nosso julgamento sobre o final da história, e nos dá mais desconfiança de que se trata da visão alterada pelo ciúme de Bentinho. Afinal cada um vê aquilo que quer ver e não necessariamente o que é de verdade. 

Seja o final que você decidir, a verdade é que Machado de Assis é fantástico na sua escrita, dizer isso é chover no molhado, como diz minha mãe, mas nunca é demais relembrar o brilhantismo deste escritor brasileiro. 

Até mais !

20 comentários:

  1. Melissa, realmente uma obra clássica e eterna! Não tem como não amar...

    Abraços, Isabela.
    www.universodosleitores.com

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  2. Oi Mel! Seguindo seu blog de volta! :D

    Por uma questão pessoal, de gosto mesmo .. eu não sou muito fã de clássicos, não digo sem ter lido, porque eu leio mesmo, Memórias Póstumas, Dom Casmurro, O Cortiço, Memórias de um Sargento, As Cidades e as Serras, etc.. mas eu realmente não consigo achar tão sensacional assim.
    Não é pela leitura ser difícil, é por realmente não gostar das histórias, sentir que falta algo, apesar da riqueza de detalhes e dos geniais diálogos, algo com a falta de emoção nos clássicos brasileiros me incomoda. Pra mim o único clássico que realmente adorei foi Iracema. Tem sentimento, tristeza, verdade, comoção e um final incrível *-*'

    Beijos ;*
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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  3. Machado de Assis é excelente!!!

    É meu preferido.

    Bjs**

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  4. Nunca vou esquecer a sensação que tive ao ler Dom Casmurro, não estava habituada ao Reslismo, foi envolvente demais. E gostei de sua resenha, parabéns pelo blog.

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  5. Eu ia perguntar se achava que Capitu tinha traído ou não, mas como Bentinho é o narrador cego de ciúme a história é realmente deturpável... enfim, eu ainda não li (não me bata!!!), mas gosto muito de Machado, Brás Cubas é vida... ou melhor, morte... kkkk
    Letras & Versos

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  6. Ual, adorei a reflexão!
    Estou lendo Dom Casmurro atualmente e estou bem no comecinho. Vou prestar bem atenção nos detalhes e acontecimentos!
    Parabéns pela análise!

    Beijos,
    Le Lançanova
    Blog Palácio de Livros

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  7. Confesso que li apenas pq iria cair no vestibular o.O
    Que bom que gostou

    bjo
    Pah
    Lendo e Escrevendo

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  8. Uma vez comecei a ler Dom Casmurro, mas não consegui levar para frente (eu estava em outra 'vibe', precisava de coisas mais 'novas', talvez você me entenda). Porém, morro de vontade de lê-lo. Mas eu também gostaria de saber o lado da Capitu em toda essa história...

    Beijos,
    www.procurei-em-sonhos.com

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  9. Esse é um dos clássicos que muda aos nossos olhos a cada leitura. São tantos detalhes para observar... Sem contar que nosso estado de espírito e o momento da leitura influenciam muito a interpretação. É um dos poucos livros que pretendo reler.
    bjo

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    Respostas
    1. É verdade Mi, acho que mesmo ao longo do livro as ideias que temos vão se modificando e numa releitura nem se fala. :)
      bjos

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  10. Ai Melissa, eu devorava, literalmente :D Machado de Assis quando adolescente. Não importa a época, ele sempre será um queridinho da literatura..

    Bye da Pah
    Livros Estrelas

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