Resenha : O Rei do Inverno de Bernard Cornwell

30 abril 2013

Olá!

Mais um livro finalizado para o Desafio Literário 2013! E mais um livro terminado entre as leituras do mestrado, duas vitórias em uma!


O Rei do Inverno - As Crônicas de Artur
Bernard Cornwell
Editora Record
544 páginas
2012 - 20º edição


Bom, vamos lá falar sobre Rei do Inverno.

Eu adoro romances históricos, estão entre meus preferidos, e Bernard Cornwell é um dos mestres nesse sentido, ele possui uma série de livros baseados em histórias e batalhas reais, focado na Grã-Bretanha da Idade Média. 

O fato de escrever sobre esses assuntos foi o que me atraiu para sua literatura, além de elogios de conhecidos que compartilham comigo o mesmo gosto literário, e que me indicaram seus livros.

O Rei do Inverno é o primeiro volume da trilogia das Crônicas de Artur. Nessa trilogia Cornwell pretende contar a história do famoso Artur (aquele mesmo da Távola Redonda) baseado em alguns achados arqueológicos e dados encontrados que foram atribuídos ao mitológico Artur, além de incluir batalhas registradas para o século IV e V, tudo isso misturado claro, com uma grande dose de ficção.

O livro começa com o nascimento (no inverno) do herdeiro do trono da Dumnonia, uma região do sudoeste da ilha britânica. Nessa época a ilha era dividida entre o que poderíamos conceituar como tribos ou feudos, em geral governados por reis, dentre eles a Dumnonia, esta que representava a principal tribo da Britânia e por isso seu rei, Uther, era a maior autoridade dentre os britânicos. 

Uther havia perdido muito recentemente seu filho, Mordred, em uma batalha, assim a maior tribo da Britânia precisava de um herdeiro, por isso era tão importante o nascimento da criança, que seria futuramente o novo rei no trono de Dumnonia. 

Fato é que um reino sem herdeiro é um reino extinto, por isso Uther que estava a beira da morte queria garantir de qualquer forma a continuidade de seu sangue no trono dumnoniano.

Além da invasão dos saxões que dizimavam a população das tribos britânicas, matavam reis e escravizam o povo, os britânicos tinham de lidar com as disputas entre si, entre as tribos que compunham o território da ilha, pode-se ver que vida não era muito fácil.

Se você conhece um pouquinho a história (ou seria a lenda?) de Artur, sabe que a ilha britânica além de conviver com saxões e britânicos, ainda convivia com um povo que era responsável pela religião dos moradores da ilha britãnica, os druidas. Os druidas eram os que ainda adoravam os antigos deuses britânicos e realizavam os rituais em honra aos mesmos. Disputando o status de religião na região, estavam os cristãos. Muitos britânicos se converteram ao cristianismo após a invasão romana, e mesmo depois da saída deles da ilha, continuaram cristãos. Então, outra guerrinha particular se estabelece aí, os druidas que adoravam os deuses da Britânia x os novos cristãos que abominavam tal crença. 

Fato é que na hora do aperto, na história, quase ninguém corria pro lado dos cristãos todos buscavam os antigos rituais druidas, dentre eles Uther. O principal representante dos druidas eram Merlin, o mais temido feiticeiro, que morava em Ynys Wydryn, ou a terra de Avalon, junto de Morgana filha bastarda de Uther, e muitos outros "renegados" os quais Merlin abrigava sob sua tutela nas terras de Avalon. Dentre esses está Derfel, o nosso narrador da história.

Toda a história é contada sob os olhos de Derfel, que começa como um menino saxão protegido de Merlin e que ao longo da história torna-se soldado de Artur. Derfel sempre esteve perto de onde "tudo estava acontecendo" e através dos olhos dele que a história é contada.

Bom, mas não falei de Artur ainda .... Artur é filho bastardo de Uther, pois é bem saidinho esse rei né ... mas a verdade é que ele possuía diversos filhos bastardos, que não tinham a menor chance de serem herdeiros ao trono.

Artur e Morgana que são irmãos, são os filhos que se destacam na história. Morgana por ser uma das feiticeiras mais poderosas do reino de Uther, também protegida de Merlin e Artur por ser o melhor guerreiro do reino, ou mesmo da Britânia.

Artur nessa história não é representado de forma "mágica", como ele costuma ser mostrado em outras histórias. É um guerreiro bem sucedido, muito perspicaz e inteligente, mas nada de mágico paira sobre sua cabeça. Mas, sim a sua espada ainda se chama excalibur!

Enfim, é uma história deliciosa, isso se você gosta de batalhas medievais, guerras, espadas, porque Cornwell não poupa descrições de sangue jorrando, olhos pulando, torturas, sacrifícios  enfim a história é banhada de sangue e muitas, mas muitas cenas que podem chocar pessoas mais sensíveis.

A forma como Cornwell narra as batalhas, como conta as histórias é deliciosa, te prende até a última frase. Algumas pessoas pode considera-lo um autor um tanto quanto descritivo demais, já vi pessoas comentarem isso, mas para mim é aí que mora a graça, porque eu nunca vi uma batalha medieval ser descrita da forma como ele descreve, magnificamente detalhada e explicada!

O livro no começo tem uma lista de personagens e de lugares, sim porque são milhares (exagero!!) de personagens, então você pode no começo se sentir um pouco perdido, com os muitos nomes e muitos lugares, todos com nome difíceis de pronunciar, mas aí também Cornwell se supera porque depois de meia dúzia de páginas eu já sabia de cor quem era quem e de onde vinha, não sei como ele consegue mas você acaba se familiarizando com os nomes e lembrando de todos.

O livro é ótimo, para quem gosta do gênero, mais do que recomendo!

Agora é só partir para o volume 2 : O Inimigo de Deus!






Até mais!

16 comentários:

  1. Melissa, parabéns pela finalização de mais um livro entre as leituras de mestrado!!! :D
    Agora vamos ao livro... Eu tenho MUITA vontade de ler O Rei do Inverno, quando aparecem em sinopses, resenhas as palavras: rei, medieval, batalhas, druidas, Britânia, feiticeiros... Eu já sei que vou gostar!
    Li em algum lugar que a narrativa do Cornwell é bem detalhada, eu gosto de livros assim, consigo entrar mais na história em livros ricos em descrições e detalhados do que um texto mais "simples".
    O livro já estava anotado no caderninho de querências, vou até colocar uma estrelinha "nele" para ressaltar que PRECISO LER MESMO, MESMO, hehe!

    Comentário aleatório: cê também é a Lizzie!!! Eu ainda não acredito que meu resultado sobre qual personagem da Austen eu seria/sou, fiquei encantada e achando que tinha respondido errado - já que meu inglês é uma caca, respondi de novo com uma amiga que lê traduzindo, e saiu essa personagem incrível!
    [Ai, deu até vontade de reler Orgulho e Preconceito...]

    Beigos,
    Maura - Blog da /mauraparvatis.

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    1. Oi Maura obrigada!! Se vc gosta desses tópicos vai adorar o livro tenho certeza, vale muito a pena, o único problema dessa coleção é que é meio cara, mas a edição é muito, no final vale a pena!
      hahaha pois é, nem acredito que deu Lizzie, eu tb não sei se respondi direito mas, deu Lizzie e preferi ficar com ela, que é uma das heróinas da Jane que mais gosto! bjos

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  2. Não conhecia esse livro!
    A capa é perfeita e a história parece ser muito boa mesmo!

    Convido você a participar da promoção que vai dar o livro Simplesmente Ana autografado.
    Não perca!
    Rizia - Livroterapias
    Livroterapias

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  3. Fiquei curiosa, você faz mestrado em que?

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    1. Oi Cacilda,faço mestrado em paleontologia! bjos

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  4. Eu adoro a lendas Arturianas e estou louca por essa série, fiquei ainda mais agora com essa resenha, eu estou lendo as Brumas de Avalon e estou adorando, embora seja uma leitura um pouco lenta!

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    1. Eu já tenho Brumas mas ainda não li, está na lista de leituras!
      abraços!

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  5. Ano passado eu ganhei "O Forte" do mesmo autor e tá aqui na fila de leituras, pena que ela é imensa!
    Mas sua resenha despertou minha curiosidade!
    Beijos!

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    1. Eu gosto muito do Bernard Cornwell acho que vale a pena tentar!
      bjos

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  6. Eu tenho a série completa, além da série Sharpe, todos indicados pela Marcella do Letra de chá, mas ainda não li nenhum, mas após uma resenha tão apaixonada, estou mais do que pronta de viajar novamente pelas histórias de Arthur, Merlin e Morgana.

    Beijos!
    www.tesouroliterario.com

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  7. Também gosto de romances históricos e esse passado na Távola Redonda parece ser mesmo muito interessante. As batalhas e as conquistas realmente deixam a gente numa expectativa danada. Adorei a resenha!

    Parabéns também pelas leituras para o Mestrado! Tão bom, não é, quando a gente sente nosso trabalho progredir? Desejo-te muita luz nessa caminhada!

    Bjos Mel!

    Rosangela
    (des)cortinada palavra

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  8. Excelente resenha, vc poderia resenhar As Brumas de Avalon?? Abraços!

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    1. Oi Matheus, logo eu resenho, já tenho a coleção aqui :)
      Obrigada pela visita! bjos

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Olá ! Obrigada pelo comentário, ele será respondido aqui mesmo, ok!?
Obrigada pela visita e até mais!

 
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