Resenha : O Retrato de Dorian Gray

04 novembro 2012

Olá!
Sinopse - O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

Versão de Oscar Wilde para o mito faustiano da perda da alma em troca dos prazeres mundanos, "O retrato de Dorian Gray" é um relato de decadência moral e punição, exemplo do humor cáustico e refinado de seu autor.
Dorian Gray é um belo e ingênuo rapaz retratado pelo artista Basil Hallward em uma pintura. Mais do que um mero modelo, Dorian Gray torna-se inspiração a Basil em diversas outras obras. Devido ao fato de todo seu íntimo estar exposto em sua obra prima, Basil não divulga a pintura e decide presentear Dorian Gray com o quadro. Com a convivência junto a Lorde Henry Wotton, um cínico e hedonista aristocrata muito amigo de Basil, Dorian Gray é seduzido ao mundo da beleza e dos prazeres imediatos e irresponsáveis, espírito que foi intensificado após, finalmente, conferir seu retrato pronto e apaixonar-se por si mesmo. A partir de então, o aprendiz Dorian Gray supera seu mestre e cada vez mais se entrega à superficialidade e ao egoísmo. O belo rapaz, ao contrário da natureza humana, misteriosamente preserva seus sinais físicos de juventude enquanto os demais envelhecem e sofrem com as marcas da idade.
Minha edição : O Retrato de Dorian Gray
Editora : Martin Claret



Este é um daqueles livros que se pode sentir que não se tem todas as referências para lê-lo, devido a toda sua intensidade. Foi assim que me senti, parecia que a cada momento Oscar Wilde queria me confundir mais, me intrigar mais e me fazer sentir como se eu nunca tivesse lido livro algum.

Wilde trata sobre conceito de beleza x moralidade na Inglaterra do século XIX, trata sobre a importância desmedida que é dada ao belo e a juventude, como quase as  duas únicas fontes de felicidade completa. Além disso, Wilde trata de forma muito sútil o amor ou relacionamento homoafetivo, obviamente da forma como ele poderia para a realidade de sua época, isso fica muito claro na relação dos três personagens principais : Lorde Henry Wotton, Dorian Gray e Basil Hallward.

A história se inicia com Basil pintando o seu retrato de Dorian, o qual ele considera como sua maior obra e além disso, julga que pôs ali muito além de tintas e rabiscos, mas também parte do que ele era e pensava sobre Dorian. 

Dorian é dotado da beleza mais extraordinária, jovem e belo ele tem o poder de encantar a todos ao seu redor, inclusive Basil e um de seus amigos Henry Wotton. 

Dorian no início é um rapaz inocente e completamente alheio a beleza que tem, isso muda após ver o quadro  de Basil, ele se depara com a sua beleza e a partir daí suas concepções começam a mudar. 


"Como é triste! Eu vou ficar velho, horrível, pavoroso. E este quadro permanecerá jovem, para sempre. Não envelhecerá um dia além deste dia específico de junho… Ah, se fosse o contrário! Se fosse eu a permanecer jovem para sempre, se fosse o quadro a envelhecer! Eu daria… eu daria tudo por isso! É isso mesmo, não há nada neste mundo que eu não daria em troco! Daria até mesmo minha alma!"

Além da revelação que o quadro lhe proporcionará, Lorde Henry Wotton, um aristocrata da sociedade britânica resolve mostrar ao rapaz o quanto a sua beleza e juventude deve ser aproveitada, já que o que importa segundo ele, é a busca incessante pelo prazer, sem se importar com as causas e os modos como se faz essa busca, ou seja pecados não existem. Henry é um personagem sarcástico, preconceituoso e como sugere a Dorian, aproveita sua vida ao máximo. 

Henry se torna uma influência importantíssima na vida de Dorian e a partir daí, este deixa de ser um jovem tímido para ser um rapaz na busca incessante e inconsequente pelo prazer, utilizando de todos os meios, principalmente sua beleza para alcançar o que almeja. Sem pensar no amanhã e nas consequências, Dorian passa a viver a sua vida, mudando a cada capítulo até o surpreendente final. Com toda certeza você não ficará alheio a qual seja o sentimento que surja sobre Dorian. 

Como "pedido" por Dorian no momento em que viu seu quadro, este passa a não envelhecer, mas todas os seus pecados e a degradação da sua alma passam a se refletir no quadro de Basil, a cada nova atitude algo muda no quadro e isto ao mesmo tempo, fascina e assusta o jovem Dorian. 

Fatos surpreendentes ocorrem ao longo de todo livro, e o final é ainda mais. 

"Hoje em dia as pessoas sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada."

É interessante a crítica social que Wilde propõe neste livro, a busca pelo superflúo, a superficialidade das intenções e realizações, o julgamento e controle social, a disputa incessante entre o bem e o mal, o moral e o imoral e até onde uma pessoa consegue ir para satisfazer seus desejos. 

É um livro ácido, e moderno, questiona valores, e além disso discute até que ponto uma pessoa é capaz de influenciar outra e lhe modificar o caráter. 

"Não existe boa influência – respondeu Lord Henry. – Toda influência é imoral – imoral do ponto de vista científico -, porque influenciar uma pessoa é dar-lhe sua própria alma. Ela já não pensa com seus próprios pensamentos nem sente suas próprias paixões."

É um daqueles livros que você quer reler, porque sente que muitas coisas ficaram para trás, que há muito mais a ser entendido e captado nas entrelinhas do texto. É um livro profundo, repleto de assuntos que nos levam a uma intensa reflexão, que te leva a divagando sobre os temas discutidos. 

Adaptações desse livro foram feitos para o cinema, a mais recente delas foi feita pelo diretor inglês Oliver Parker, no elenco Ben Barnes, Colin Firth, Ben Chaplin e Fiona Shaw em 2009. 



Não é nem de perto uma boa adaptação deste filme, fica devendo muito e muda demais o roteiro do filme em relação a história do livro. Para quem leu o livro, o filme é sofrido, decepcionante. Mas falo sobre ele em outro momento. 

Até mais !



5 comentários:

  1. O que gosto desse livro é que ele trata de temas a temporais. Quem hj não gostaria de viver para sempre? Ou ser sempre jovem? O livro explora os desejos de todo mundo independente de sexo, classe social, raça... É um livro ótimo para qualquer pessoa.

    Bjus, @dnisin
    http://diamanteliterario.blogspot.com.br/

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  2. Gostei do filme, mas achei um pouco louco rs Talvez por isso, me dei melhor com o filme e provavelmente não aguentaria manter a leitura. Pelo menos não é uma história que me prenderia pelas páginas.

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com.br

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  3. Nunca li esse livro, eu sei que feio...rs, mas vi o filme e não sei se teria ânimo para acompanhar a leitura, mas não esqueci não. Ainda vou lê-lo.

    Andy_Mon Petit Poison
    POISON BOOKS - Almas Divididas (Gabrielle Poole) ow.ly/f2l9f

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  4. Oi Melissa
    esse livro é tudo e mais um pouco que a sua resenha disse. É um dos meus favoritos, e acho que se eu for reler, certamente irei me chocar com o final e vibrar como se fosse a primeira vez.
    Amei a resenha
    bjos

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  5. Li Dorian Gray quando tinha uns 14 anos, acho que era nova demais... De qualquer forma, me encantei pela escrita de Wilde naquela epoca... E sim, Dorian Gray é tudo o que você disse!

    Beijo!

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