Resenha : O Diabo - Leon Tolstói

15 novembro 2012



Falei na postagem anterior sobre o livro, "A Felicidade Conjugal", que estava terminando de ler a segunda história de Leon Tolstói, no livro que tenho da LP&M Pocket, “O Diabo”. Pois bem, terminei.

Minha edição : A Felicidade Conjugal / O Diabo
Editora : Lp&M Pocket





Sinopse disponível no Skoob

“O diabo”, conto escrito em 1898. De origem autobiográfica – e provavelmente em razão disso –, o texto só foi publicado postumamente, em 1916, já que Tolstói­ o escondera por considerá-lo escandaloso. “O diabo”­ trata de questões caras ao autor de Guerra e paz: o papel do casamento,­ do sexo e das relações amorosas, bem como a responsabilidade moral dos indiví­duos. Na história, Evguêni, um bacharel em direito,­ se envolve com uma bela camponesa da região, num caso que teria tudo para ser esquecido e relegado às loucuras de juventude. Mas Evguêni é jovem, e não percebe que está criando armadilhas para si mesmo...

De novo Tolstói trata das questões que envolvem relacionamentos amorosos, casamento e amor. Evguêni após a morte do pai. assume seus negócios e descobre que a família está completamente falida, começa, portanto a se empenhar em recuperar  a fortuna que possuía, dedica-se, trabalhando de forma empenhada para isso. Durante o período em que está em sua fazenda, envolve-se com uma moça local, camponesa e casada Stepanida, a qual passa a pagar por sexo.

O que de início parecia ser somente um único encontro, passa a virar algo mais constante, e os dois acabam se encontrando sempre, Tolstói dá a entender que Evguêni não passa a amar a camponesa, mas mais a deseja-la, do que qualquer outra coisa.  

Logo depois, conhece e se apaixona por Liza Annenskaia, casa-se e toma a resolução de não encontrar mais Stepanida. Logo no início do casamento, um acidente faz com que sua esposa perca o primeiro filho do casal. Liza se recupera, mas passa a ter uma saúde um pouco mais frágil.

Liza é descrita na história como uma esposa exemplar, faz de tudo para agradar o marido e lidar de forma pacífica com a sogra e a mãe (que discutem o tempo todo) que veio morar na casa do casal depois do acidente de Liza.

Em certo momento da história, Liza contrata moças para limpar sua casa, e claro uma delas é Stepanida, a partir desse momento Evguêni encontra novamente com a camponesa e a obsessão por Stepanida começa novamente.

Mas a partir daí, já lhe é punitivo pensar e desejar Stepanida da mesma forma como antes, por causa de Liza, e também porque ela está novamente grávida.


A história se desenrola e a paixão e desejo de Evguêni por Stepanida só vai aumentando mais e mais, Tosltói narra até o final a dualidade de sensações de Evguêni, e a sua luta para se desvencilhar do que sentia por Stepanida. 

O livro apresenta dois finais, na edição da LP&M, não sei se em outras edições isso também ocorre e foi ai que o livro conseguiu  me surpreender, porque apesar da leitura se arrastar, o final (ou finais são) é surpreendente, pelo menos na minha opinião.

Eu confesso que não esperava por esses finais, foi o ponto alto do livro ao meu ver, a surpresa e a conseqüência gerada por uma mente transtornada pela culpa. Qualquer um dos dois pode ser escolhido como final "oficial" porque ambos são muito bons. 

O livro tem uma história lenta, mas a leitura é rápida porque o livro é curto e o final vale a pena. Como em “A Felicidade Conjugal” o livro é banhado de moralidades, no papel submisso e servil da esposa, o desenrolar de um casamento e os pormenores de um relacionamento a dois. Mas é a luta pelo desejo x moral que justamente desencadeia o final.

Ao que tudo indica o livro é autobiográfico, já que Tolstói parece ter tido um caso com  sua vizinha e foi desse fato (e culpa)que resultou essa história. Mesmo que não seja, ainda assim é até certo ponto interessante.

Há mais um ponto importante a salientar sobre a escrita de Tolstói, na Rússia do século XIX, os camponeses eram tratados praticamente como escravos pelos nobres, e a situação dessas pessoas era extremamente precária. Tolstói se preocupava bastante com isso e na tentativa de uma ligeira crítica social, ao criar seus personagens nobres, normalmente ele os cria como boas pessoas, preocupadas com o bem-estar de quem trabalha para ele, buscando ser justo para com todos. Em ambos os livros essa característica aparece, tanto na figura de Evguêni  em "O Diabo" quanto em Serguéi Mikhailitch de "A Felicidade Conjugal" e parece mesmo ser uma coisa recorrente em seus romances e contos de Tolstói. 

É isso aí, Tolstói conseguiu me surpreender no final das contas. 


Até mais. 

2 comentários:

  1. Ah não, definitivamente estas coisas de listas não dão certo para mim, sou meio revoltada, se eu fizer uma lista provavelmente não vou seguir!!! Rsrsrs.

    Vanessa - Blog do Balaio

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  2. Como disse na resenha de A Felicidade Conjugal, O Diabo ei ja tinha ouvido fala bem por alto, mas nunca tinha parado pra ler uma resenha sobre ele. Mas eu gostei da resenha e do livro, não da parte que a leitura se arrasta, mas desse triangulo amoroso por assim dizer. Gostei mais desse do que do outro com certeza.

    Bjus, @dnisin
    http://diamanteliterario.blogspot.com.br/

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