Resenha : A Felicidade Conjugal - Leon Tolstói

12 novembro 2012


Sempre antes de iniciar uma leitura, eu leio sobre a biografia do autor ou suas características literárias e os traços que marcam o seu texto. 

Minha edição : A felicidade Conjugal/ O Diabo
Editora : Lp&M Pocket



Não foi diferente quando comecei a ler “A Felicidade Conjugal” de Leon Tolstói. Pesquisei Tolstói e li também uma mini explicação presente no inicio do livro na edição da L&PM Pocket. 



A tradutora Maria Aparecida Botelho Pereira Soares, salienta que Tolstói tem duas características a meu ver, marcantes. Primeiro ele constrói um texto mergulhado nos dogmas da sua crença religiosa e ele acredita categoricamente que a mulher deve ser submissa ao homem, e este por sua vez deve ser um bom marido, um homem exemplar. 

E é isso que a “A Felicidade Conjugal” apresenta, a história de duas pessoas que se estão desanimadas com suas vidas e se encontram, apaixonam-se e isso as muda. Obviamente isso é uma análise superficial, muitos outros pormenores acontecem na história, mas sempre ao redor do casal Mária e Sérguei. É também a história da construção de um relacionamento e dos pormenores que acontecem, como a paixão inicial que causa uma cegueira absurda, um encantamento desmedido por aquele se apaixona e depois o desenrolar dessa relação as suas dificuldades de convivência, a necessidade de ceder de ambos os lados e finalmente o aprendizado da estabilidade de um amor de alguns anos. Obviamente uma visão do século XIX sobre o que era um casamento e indo além a própria visão do autor sobre o assunto. 

Mária uma menina de 17 anos, órfã, acabou de perder a mãe, ficando ela a irmã mais nova e uma amiga/empregada da família morando na fazenda que herdara dos pais. 

Após a morte da mãe Mária, fica deprimida perde todo o entusiasmo pela vida, e se isola mantendo-se na mais completa ociosidade e depressão. 

Como tutor das meninas e administrador dos bens da família foi nomeado um amigo do pai de Mária, Sérguei Mikháilitch. Apresentado como um homem correto e sério, porém, um pouco isolado que não divide os seus sentimentos e pensamentos com os outros. 

Serguei e Mária acabam se apaixonando e a história se desenrola basicamente demonstrando os altos e baixos dos dois, e a submissão de Mária a Sérguei ao longo do texto. É importante salientar que essa submissão no livro não é dita como algo errado, mas que faz parte do papel de uma boa esposa, ou seja, de qualquer boa mulher que deseja manter um relacionamento feliz, a mulher que se porta de acordo com o que “vê nos olhos de seu amado” e que busca a perfeição para agradá-lo, essa é Mária. 

Em diversos momentos da história, Mária pede para que Sérguei lhe mostre o que deve fazer, o que é certo, como deve ser uma boa pessoa, esposa e mulher. Top da submissão! 

Eu não consegui digerir bem esse livro, seja por me defrontar com frases tão machistas que me incomodavam, ou por pregar uma moralidade intensa focada na personagem de Mária. O livro todo é banhado numa moralidade que incomoda, numa necessidade de ser bom, humilde, correto que cansa. O livro caí numa onda que nunca saí, sabe daquele tipo que só te balança para enjoar e não para te sacudir ? Pois é, foi o que senti, um remexer incomodo, mas não divertido. 

Não me identifiquei com o livro, não me tocou como história de amor e nem me desafiou como leitora. 

Se mais alguém leu esse livro e conseguiu tirar dele conflitos mais profundos, ou mensagens além dessas, me digam, porque eu não consegui. 

Achei o final do livro fraco, chato e entendiante. 

Quem sabe eu dou sorte na sequência ... como é um livro duplo, estou lendo “O Diabo” de Tólstoi, depois veremos o que dele resulta ! 


Até mais!

8 comentários:

  1. Sabe que ler um pouco da biografia do autor antes de ler o livro é uma boa ideia? Nunca me passo isso pela cabeça. Vou ler Ana Karenina do mesmo autor e acho que farei isso. Não conhecia esse livro e por ele ser tão machista provavelmente nem leia.

    Bjus, @dnisin
    http://diamanteliterario.blogspot.com.br/

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  2. Anna Karenina é o clássico do Tolstoi, vou esperar a sua resenha para ver se é um bom livro, porque as minhas experiências com ele até agora tem sido frustrantes!
    abraços

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  3. Eu tb gosto de ler a biografia do autor, acho interessante, mas geralmente leio após terminar a leitura do livro. Antes eu fico toda concentrada na história rs

    Enfim, sobre o livro em questão, confesso que não sinto vontade de ler. Nunca direi nunca, né? Mas no momento, é isso :x

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com.br

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  4. Se tratando de um livro em primeira pessoa, tu não pode achar que a visão e opinião de Macha serão as opiniões do próprio Tolstói. Cuidado para não confundir as coisas, o autor em momento algum expôs a sua opinião, e sim retratou como eram as relações familiares e sociais da Rússia do século XIX, que podem inclusive ser tratado como uma crítica.

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  5. Li meu primeiro Tolstoi aos 15 anos e me debrucei com os conflitos morais e de culpa que sofrem os personagens de Ressurreição, que é uma obra mais madura do escritor do que Felicidade Conjugal que é uma fase iniciante.

    Tive essa mesma perturbação que você teve ao ler Felicidade Conjugal, um grande incômodo pela posição de submissão da mulher. Tanto porque é um autor que eu gosto muito, tanto porque temos que ter em mente que não podemos fazer uma leitura anacrônica.

    Há poucos anos atrás uma das ideias sobre a mulher era essa de que ela tem uma missão de ser compreensiva e entendedora de seu marido e usar disso para o bem estar dele e do casal. Hoje ainda lutamos por resquícios desse preconceito e na época de Tolstoi isso aparecia como algo extremamente normal, longe de ser tomada como uma discussão humanista e filosófica.
    Isso que me angustia quando leio o Tolstoi. Ele é tem uma escrita fantástica, traça os personagens de uma forma psicológica que lembra um dostoievski, e além disso tinha ideias muito progressistas para época. Podemos o ler como um clássico, mas um clássico sempre terá seu elemento arcaico.

    Quanto ao enredo de Felicidade Conjugal, para mim, é uma leitura que prende, que flui muito facilmente e rica de um diálogo sútil, mas que é transformador. Podemos acompanhar uma visão mais realista de um casamento (daquela época e talvez um relacionamento hoje). A tristeza aquarela de uma vida russa no campo; uma jovem tão inteligente, mas presa inconscientemente a vida de sua época onde a ideia de felicidade feminina era no casamento; um enamorado maduro e encantador que cuidava dos camponeses, das lutas dos camponeses (coisa que o Tolstoi lutava) . Vemos o encanto do início de uma paixão, a concretização de uma união, e como a realidade os enfrenta, como a visão de um homem diferente de sua época queria que 'sua esposa' aprendesse como a vida social da aristocracia era efêmera, apesar disso ele tentar controlar seu ciúme e sentimento de propriedade diante da amada. E acho que o possa ter tornado o livro "brochante" é essa veracidade de uma época real, de uma paixão transformada em afazeres de uma vida conjugal.

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  8. Acho meio tendência em ver esse lado machista de Tolstoi.

    O que mais me chamou a atenção nesse conto foi exatamente o lado romântico, a riqueza de detalhes das primeiras impressões de Mária em relação aos seus sentimentos por Sérguei, e como isso foi se desenrolando, o jogo de flerte entre os dois, de forma sempe indireta mas nunca despercebida, a forma como era difícil para ambos se declararem, o que por muitas vezes os fariam falar na terceira pessoa e outros subterfúgios, e isso deixava os sentimentos e momentos ainda mais intensos, a maneira como eles se entendiam e tinham uma boa sincronia mesmo na falta da comunicação direta pra mim é uma das coisas que mais me chamam a atenção, as incertezas, não é algo como somente Mária estivesse preocupada em agradar o marido como dito na resenha, a preocupação e angústia pode ser visto dos dois lados, a riqueza nos detalhes de estação e clima e sim, o lado moral pode ser meio conservacionista mas não incita a "superioridade do homem sobre a mulher" e sim algo mais puro, ele queria o melhor para ela e consequentemente para o casamento, uma vida tranquila no campo, e mesmo assim a deixou sozinha para que visse por si só do que ele temia, que era a vida fútil e superficial da sociedade, na qual ela também concordava.

    Sérguei era um homem que tinha medo de se entregar pelo fato de Mária ter acabado de se tornar uma mulher, tendo em vista ter completado seus 18 anos e não conhecer nada além da vida no campo, e ele ser um homem muito mais velho e vivido, e acho que isso explica o por que Mária tanto tinha essa necessidade de orientação, vide a diferença de idade, além de marido ela também o tinha como um tutor, enfim não vi maldade nem esse Machismo que você destacou, o que eu vi foi um homem com mais experiência querendo o melhor pra uma mulher que não conhecia nada além do campo, acho que deveria rever mais as suas palavras pois tendo como base sua resenha muitas mulheres principalmente vão pular essa boa leitura ao meu ver, por um bobo preconceito de "Machismo"...

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