10 livros para 2017

11 janeiro 2017

Todos sabemos que eu não sou nada boa para cumprir metas, até no goodreads. Eu leio livros e esqueço de anotar por lá, aí sempre parece que leio menos do que na verdade eu li. Enfim, uma das resoluções desse ano é não colocar laços no meu ritmo de leitura, porque na verdade essa metas me deixam presa e sentindo como se eu tivesse alguma obrigação pública a cumprir depois que faço listas e coloco número como metas. Aí pensei, vamos ver o que eu tenho na estante que eu quero ler logo!

Posso pensar em alguns autores e livros que gostaria muito de ler em 2017, seja porque protelo a leitura a anos ou simplesmente porque todos falam bem de tal autor/livro. As razões são muitas e fato é que nas minhas estantes tem muitos livros legais a serem lidos, e a pergunta é: quais quero ler primeiro? Separei 10 que tenho um tanto de pressa em conhecer. 



A vontade radical - Susan Sontag
Muita gente legal falando sobre Susan, porque não ler? 

Mrs. Dalloway - Virginia Woolf 
Tentei ano passado mas, acabei deixando de lado, não porque não gostei mas por falta de tempo

Lolita - Vladimir Nabokov 
Sempre fui curiosa sobre esse livro. 2017 ele vai!

Pedra no céu - Isaac Asimov 
Asimov sempre!

Madame Bovary - Gustave Flaubert
Clássico que tenho a maior vontade de ler, ultimamente



A amiga genial - Elena Ferrante
Mais uma autora do momento!

A Arma da Casa - Nadine Gordimer 
Amo Nadine, e morro de vontade de ler esse livro especificamente.

Pastoral americana - Philip Roth 
Amo Roth! Não preciso dizer mais nada

Meio Sol Amarelo - Chimamanda Ngozi Adichie 
Mais uma autora maravilhosa, e dizem que "Meio sol" é seu melhor livro. 

Os irmãos Karamazov - Fiodor Dostoiévski
Clássico, russo e maravilhoso :)

Quais são suas leituras para 2017?


Os Robôs da Alvorada - Isaac Asimov

17 dezembro 2016

Eu amo Asimov, já te disse isso? Mas, saiba que é amor verdadeiro. 

Esse amor todo vem do fato de que Isaac Asimov sabia escrever, sabia como conduzir uma história de forma interessante e dinâmica. Aliás poucos autores eu consigo ler de forma tão fácil quanto Asimov. 

Além de ser pioneiro em diversos aspectos da ficção científica e de usá-la como ferramenta para divulgação (o que é um dos pontos mais fortes para que eu goste muito dele por sinal) ele sabe como usar toda essa informação e dilui-la em uma história concisa e fluída. 

Aqui no blog já falamos sobre os dois primeiros volumes da série de Robôs, que são A caverna de aço e O sol desvelado, agora é a vez do terceiro Os robôs da alvorada, lançado pela Aleph.


Os Robôs da Alvorada
Isaac Asimov 
Editora Aleph 
2015 - 544 pgs
Este livro foi cedido pela editora como cortesia 


Esse terceiro volume é bem maior do que os outros dois, porém novamente conta uma das investigações de Elijah Bailey. Se no primeiro a história se passa na Terra, contando como são as estruturas e a forma como os humanos vivem por aqui e além disso, dando uma certa introdução ao que são os Mundos Siderais, no segundo volume Asimov já descreve um deles, Solaria e introduz aqui mais do que robôs, mas um robô humaniforme que começa a transformar a concepção de Bailey sobre essas máquinas. O robô que falamos é Daneel Olivaw, parceiro de Elijah na investigação e que aos poucos se torna confidente e amigo de Bailey. 

Neste terceiro volume, vamos para Aurora, outro mundo sideral, com costumes muito diversos daqueles que ocorrem em Solaria. Uma das coisas bacanas desse livros é que Asimov pega costumes humanos e os leva ao limite ou ao completo oposto. Humanos que vivem em enormes estruturas metálicas, trancados e tem fobia de espaço aberto, ou aqueles que se isolam e repelem qualquer contato humano que possa ocorrer, ou ainda aqueles em que sexo é tido como algo sem o minímo pudor ou sentimentos, nesse último caso, estamos falando de Aurora. 

Aurora se apresenta como o planeta mais estranho até agora dos descritos por Asimov, eu entendo humanos que se isolam ou que se trancam mas, aqueles que rompem relações baseadas em sentimentos é muito interessante. 

Se pensarmos bem, toda nossa vida é baseada no que sentimos, nos nossos relacionamentos. Eliminar a relação de amor entre pais e filhos, homens e mulheres me parece um pouco ameaçador e esquisito, mas não estou dizendo isso como uma crítica ao livro, ao contrário é desafiador pensar numa sociedade que chega a esse ponto. E mais do que isso, é pensar em como essas pessoas se relacionam e como se comportam frente  a ações que questionam as suas convicções. 

Como já disse antes, Elijah é chamado a Aurora pelo roboticista Dr. Han Fasltolfe para resolver o caso o "assassinato" ou melhor, o robotícidio de um outro robô humaniforme. Não, não é Daneel mas, é um robô que foi construído sob a mesma tecnologia, sob o nome de Jander Pannel. Elijah é pressionado a investigar o caso, sob a ameaça de que sua condição com certos privilégios na Terra possam acabar se ele não concluir o caso. 

É bom lembrar que este é o terceiro volume da história de Elijah Bailey e por mais que não haja conexão direta entre as histórias que possam interferir na leitura de um ou outro livro de forma aleatória, há sim uma evolução do personagem Bailey, vemos mais do que seu crescimento profissional, vemos como que Elijah começa a mudar certos conceitos que eram tão arraigados no primeiro livro. Questões como morar em mundos siderais, viver ao livre e as relações com os robôs, vão mudando em Elijah conforme as histórias vão acontecendo, e essa é a parte interessante de ler os livros na sequência escrita por Asimov. 

Além disso, vários personagens se repetem, figuras reaparecem e casos são citados, nada de forma a impedir o entendimento da história, porém ao meu ver a leitura é bem mais rica quando feita em sequência. 

Se posso fazer uma ponderação sobre Os robôs da alvorada é que ele é até certo ponto, grande demais, algumas passagens ali poderiam ser eliminadas sem prejuízo a história. Ao contrário dos outros dois livros e de outros do Asimov que li, este aqui é bastante descritivo para o padrão do autor. Senti falta também de uma atuação mais importante de Daneel, o robô humaniforme é um personagem muito interessante e simpático no segundo livro. Quando ele aparece neste terceiro volume pensei que a parceria iria se estabelecer novamente mas, ela não ocorre de forma tão intensa quanto no segundo. 

Sou meio redundante nos livros do Asimov, mas lá vai mais um elogio com certas ressalvas como já disse sobre o tom extremamente descritivo e com algumas passagens desnecessárias, mas é sempre muito legal e divertido ler as criações malucas do autor. E mais do que isso, é uma leitura simples porém, muito prazerosa e bem construída. A facilidade de leitura está justamente nesse ponto, Isaac Asimov sabe como contar uma boa história, sabe como envolver seu leitor, sabe como começar, desenvolver e terminar bem um livro e isso não é encontrado facilmente por aí. 

Por isso, mais do que uma indicação, se você, assim como eu é fã de ficção científica, ciência e histórias bem contadas, esse livro é para você. Divirta-se!

[sobre aleatoriedades] e minha mania de provar coisas para os outros ou bitch, please apenas pare!

08 dezembro 2016

Este post não um mea culpa, é só uns passos à frente !

Este é um post bitch, please, apenas pare! Deixando claro que a bitch, sou eu mesma :)



Porque esse post ? Porque me deparei com um vídeo sobre ritmo de leitura e como a pessoa teria retomado após um período em que andou empacado e isso me fez pensar sobre várias coisas. Vamos lá primeiro, isso não é uma crítica a ninguém, é uma crítica a mim mesma, as minhas escolhas e como de certa forma venho descobrindo que muitas delas são baseadas nos outros e não em mim mesma. Por isso, a ideia desse post, estou colocando diversos aspectos da minha vida em ordem e na ordem que enfim, descubro que eu quero. 

Esse blog é uma parte de mim, do que eu gosto muito de fazer, que é ler e escrever sobre uma das coisas que mais amo: livros. Entretanto, ele está um tantinho abandonado e confesso que me falta muitas vezes vontade de vir até aqui e despejar minhas opiniões. Não tem sido muito fácil pra mim escrever, e isso é uma coisa muito complexa, porque no meu trabalho e na carreira que almejo, escrever é o que faço, o que mais faço aliás, então tudo isso vai além da questão sobre o blog. Escrever é parte da  minha carreira. 

Eu quebrei um jejum forte de escrita quando a poucos dias acabei de escrever meu projeto de doutorado, voilá! Desempaquei uns 50% do meu bloqueio. Porém, vamos fazer uma grande separação aqui, existe o medo de escrever e ser julgada e existe uma pressão silenciosa, que diz : metas, metas , metas de leitura e de postagens!

Então são dois bloqueios na minha vida quanto a escrita: um se refere ao campo acadêmico (e também ao blog) e é minha perfeição desmedida e descontrolada, de parecer bem aos olhos dos outros e outro se refere ao fato de que não quero que esse blog funcione como qualquer tipo de obrigação. 

No começo deste espaço eu coloquei na minha cabeça que deveria existir aqui algum tipo de regularidade semanal de postagens e ficava esquentando minha cabeça para que isso funcionasse. Por um tempo deu certo, enquanto estava motivada por questões que hoje não me importam mais.

Fiquei pensando naquela frase lá, "retomar o ritmo de leitura" e pensei em quantas vezes me cobrei por ler x número de páginas, ou por não ter lido nenhuma, ou ainda por não ter lido x número de livros durante o mês ou ano, enfim aquelas cobranças que às vezes alguns de nós leitores costumamos fazer. Na verdade, eu fazia para mim mesma muitas e muitas vezes. No fim só posso dizer que isso me tirou o tesão da leitura e como consequência de tudo isso, parei de ler, óbvio que não foi SÓ isso, muitas coisas aconteceram nesses 2 últimos anos, questões pessoais que me deixaram sem tempo e sem muito ânimo mas, junto de tudo isso estava essa cobrança desmedida para metas literárias.

O incrível é que a gente demora para se dar conta de certas coisas, por mais óbvias que pareçam. A ficha nem sempre caí rápido e para mim demorou muito. Mas, enfim antes tarde do que nunca para dizer para mim mesma que isso aqui é prazer e como tal deve ser feito de forma leve. Aliás, essa é a forma como quero mediar muitas coisas na minha vida: de forma leve! E sim, as pessoas terão opiniões divergentes e as vezes até ofensivas, mas a vida é isso aí, uma mescla do que você pode e quer fazer hoje, e só hoje. Não temos e nem podemos controlar as pessoas, nem o que  elas pensam ou o que falam, por isso é importante que sigamos o nosso caminho sem se importar com o que os outros pensam, porque não importa mesmo, no fim do dia você só terá que prestar contas para si mesmo. E se seu dia foi ruim de quem é culpa ? De você mesmo. Porque eu aceito e permito ou não o controle dos outros sobre mim, então tudo é minha responsabilidade mesmo.

Todo mundo acha que viver sem tempo e correndo com mil coisas é sinal de que você tem uma ótima vida, eu também achava mas isso quase acabou com a minha cabeça, essa necessidade incessante de provar alguma coisa para os outros, quase acabou com minha saúde, principalmente a mental, assim olhando agora as coisas de forma leve e como eu quero que seja, isso aqui é um espaço que não tem obrigações, nem pretende ter, não quer mais seguidores nem números. O que eu quero é voltar a gostar dele, só pelo prazer de ler. Só pelo prazer de compartilhar, com quem quiser e puder estar por aqui, algumas leituras e minhas opiniões sobre elas. 

Enfim, depois da catarse deste texto, vou eliminar as leituras de "obrigação" e ir para aquelas que me der vontade. 

E quando der vontade escreverei por aqui, sobre qualquer coisa que me apaixone. 

Até mais!




Penny Dreadful

21 novembro 2016

Numa primeira olhada, Penny Dreadful pode parecer uma miscelânea de personagens e histórias que parecem não fazer sentido, mas fazem. 


O título se refere aos Penny Dreadfuls, publicações de ficção e terror que eram vendidas na Inglaterra do século 19. Por serem histórias que custavam um centavo, tinham como apelido "centavos do terror". 

Juntar vampiros, lobisomens, Frankenstein, médiuns, bruxas, Dorian Gray, parece sem sentido, muitas histórias e personagens de terror clássico compõem o roteiro desta série cujo personagem principal é a enigmática Vanessa Ives interpretada por Eva Green.

Penny Dreadful tem ao todo 3 temporadas, porém nesse ano (2016) no início da terceira temporada, os produtores surpreenderam a todos dizendo que esta seria a última da série. Acredito que foi um pouco decepcionante porque acho que a série ainda tinha bastante a render, principalmente porque as suas temporadas sempre foram curtas com no máximo 10 episódios na segunda. Assim, as histórias sempre foram contadas de forma muito concisa, sem aquela enrolação normal de uma série com 22, 23 episódio. 

Vanessa Ives é uma médium que tem um contato muito profundo com o mal por alguma razão, Vanessa é quase sempre tentada e levada a ter contato com as criaturas das trevas e sendo muito influenciada por isso. Ao seu redor pairam outros personagens tão interessantes quanto ela, e isso é uma das partes importantes dessa série, a capacidade de construir ótimos personagens que não são necessariamente protagonistas.

O principal deles, ao meu ver é Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton) que é na série o pai de Mina, a personagem famosa por ser o par romântico de Drácula em algumas produções. Malcolm é um personagem que não é nada fechado, ele é com certeza um dos que mais sofre transformações ao longo da série, um dos personagens que mais cresce, principalmente devido a influência de Vanessa em sua vida.

Ethan Chandler (Josh Hartnett) é outro daqueles personagens fantásticos da série. Ele entra na história de forma bastante sutil e vai se tornando essencial ao contorno da série, destaco a interpretação de Josh, nunca tinha  visto uma atuação sua tão boa e carregada de um peso emocional tão convincente. Ethan é meu personagem favorito.



Associado a história mas, não menos importantes estão outras figuras da literatura do terror/suspense, como a criatura de Frankenstein, feito por Rory Kinnear como uma interpretação poética e sensível. Além dele, obviamente o próprio Dr. Frankenstein, interpretado por Harry Treadaway e Dorian Gray (Reeve Carney) tem importantes papéis dentro de toda a trama de Penny Dreadfull.

Ao longo de cada temporada, outros personagens importantes e conhecidos do mundo do terror são inseridos, porém detalha-los aqui seria como trazer spoilers para quem ainda não viu nenhuma temporada.

Algumas pessoas elogiaram e outras detestaram o término da série na sua 3º temporada, penso que se por um lado é bom, não se perde uma série boa em temporadas infinitas que nada dizem, por outro lado acho que ainda havia assuntos a serem discutidos dentro da série, muitas coisas ficaram com pontas soltas e ainda seria possível ao menos, mais 1 temporada.

Porém, a série vale ser assistida, não só por todo contexto suspense/terror que envolve, mas por atuações e roteiros muito bons. Parece uma salada mista de personagens aleatórios, mas no fim você percebe a ótima coesão entre todos num roteiro super bem escrito.

Bom é isso, e você o que acha da série ?

Boa noite, Darth Vader - Jeffrey Brown

17 novembro 2016

Uma das coisas mais bonitinhas lançadas nos últimos é essa coleção do Jeffrey Brown da Aleph.

Boa noite, Darth Vader é o terceiro livro que a editora lança com a temática girando em torno de Darth Vader criando seus filhos gêmeos, Luke e Leia. Neste volume a história narrada na verdade é a história que Darth Vader conta a seus filhos para dormir.


Boa noite, Darth Vader
Jeffrey Brown
Editora Aleph
64 pgs | 2016
Este livro foi cedido pela editora como cortesia



A graciosidade da história dá o tom, vários personagens, locais e passagens da história original são revisitados mas, daquela forma, como uma história de ninar, cheia de rimas e ritmo. 

O que mais me agrada nessas histórias além do bom humor, é a figura do Darth como pai, mas um pai normal, que briga, que é desobedecido, que tem de contar histórias para dormir e no final é ele quem dorme por que a canseira venceu. Isso é muito engraçado e gracioso, Jeffrey Brown consegue criar um Darth que você acha sempre muito fofo. 

A Aleph já lançou outros livros de Jeffrey Brown e fizemos a resenha de alguns deles aqui, caso você queira ler é só clicar aqui e aqui.

Vale a pena não só para ler para as crianças, mas para todo aquele que como eu é fascinado por Star Wars.

Até mais!


Um útero é do tamanho de um punho de Angélica Freitas

17 outubro 2016

Se eu pudesse resumir em poucas palavras esse livro eu diria: um livro que fala sobre ser mulher e todas as suas peculiaridades.


Um Útero é do Tamanho de um Punho
Angélica Freitas 
2012 - 96 pgs
Cosac & Naify


Dentro do mundo da literatura poucos livros que pude ler focam tanto no corpo, nas questões e condições femininas como este. Para mim, é especialmente difícil falar sobre poesia, porque ao meu ver a leitura de qualquer poesia é muito subjetiva, muito pessoal então como falar sobre poesia?
Prefiro apenas fazer alguns comentários bem simples.

Um útero é do tamanho de um punho foi escrito por Angélica Freitas, poeta gaúcha, seu livro foi lançado pela falecida Cosac & Naify em 2012. 

O livro é dividido em capítulos que são respectivamente: “Uma mulher limpa”; “Mulher de”; “A mulher é uma construção”; “3 poemas com auxílio do Google”; “Argentina” e “O livro rosa do coração dos trouxas”. Em cada um desses capítulos o tema é o mesmo, o mundo feminino, porém visto sob perspectivas diferentes. Assuntos como machismo, aborto, sexo, porém questionando sempre se a mulher pertence a ela mesma ou a que ponto e com que intensidade a sociedade influencia na constituição da mulher. 

Discussões importantes tem sido levantadas e movimentos surgiram para destacar a importância da questão de gênero na literatura, menos mulheres são editadas e consequentemente lidas no mercado editorial. Quando pensamos ainda numa literatura escrita por mulher e que trate de assuntos femininos de forma que não nos estereotipe, se torna quase uma raridade. Por isso é necessário a leitura e edição de autoras como Angélica Freitas que abordam o mundo feminino através dos olhos de uma mulher questionando seus papéis e condições. 


Uma mulher limpa 

porque uma mulher boa
é uma mulher limpa 
e se ela é uma mulher limpa 
ela é uma mulher boa 

há milhões, milhões de anos 
pôs-se sobre duas patas 
a mulher era braba e suja 
braba e suja e ladrava 

porque uma mulher braba 
não é uma mulher boa 
e uma mulher boa 
é uma mulher limpa 

há milhões, milhões de anos 
pôs-se sobre duas patas 
não ladra mais, é mansa 
é mansa e boa e limpa

Até mais!



Mês do Arrepio em Outubro

05 outubro 2016

Já era para ter escrito esse post à dias, duas coisas me impediram : 1. memória, porque ando me esquecendo de absolutamente tudo; 2. tempo, a velha desculpa ..... óbvio, como ser menos clichê, eis a questão. 
Bom, depois do momento desculpa "o post atrasado", vamos ao assunto: outubro é Halloween! Mês de maldade, mês de bruxa, mês de terror, mês de ver/ler tudo aquilo que você vem protelando a meses :)

Fui convidada pela Michelle Gimenez do blog Resumo da Ópera para participar, junto com outras pessoas maravilhosas, do Mês do Arrepio, que consiste em falar sobre assuntos relacionados ao terror/suspense, seja filme, livro, série etc. 

Link para post da Michelle aqui


A minha expectativa neste mês é ler ao menos 3 livros que estão na minha estante há algum tempo, que são : A Narrativa de A Gordon Pym e Contos de Imaginação e Mistério, ambos de Edgar Allan Poe (que nunca li por sinal) e O Vampiro Lestat de Anne Rice, comprei quase toda a coleção mas li apenas o primeiro livro das Crônicas Vampirescas que é Entrevista com Vampiro. 




Se tudo certo, tentarei ler Dracula porém, não é certo porque meu ritmo de leitura anda bem lento. Veremos então o resultado de tudo isso :) 

Tentarei também falar de algumas séries e filmes que vi nos últimos tempos dentro da temática. 

É isso por hoje, até mais!

O trono de diamante de David Eddings

11 agosto 2016

O Trono de Diamante é o primeiro livro da trilogia Elenium, escrito por David Eddings, autor estadunidense, falecido em 2009. O livro foi originalmente escrito em 1989 e, foi traduzido pela Editora Aleph só em 2015. 


O Trono de Diamante
 David Eddings
Editora Aleph
2015 - 408 páginas
Este livro foi cedido pela editora como cortesia



O livro conta a história de Sparhawk, um cavaleiro da ordem dos Pandions e Campeão da Rainha, responsável por proteger a rainha Ehlana, porém o cavaleiro havia sido exilado há 10 anos de Elenia. Retorna então, pois Ehlana corre sério risco. Sparhawk quando retorna vê que a rainha está dentro de uma redoma de vidro que protege a sua vida, através de um poderoso feitiço lançado por Sephrenia, poderosa feiticeira do reino. Misteriosamente Ehlana fica doente, com sintomas parecidos com o que seu pai morreu e, então para sua proteção é colocada sob esse feitiço, que mantém seu coração batendo. 

Do outro lado temos Annias, primado da Igreja e membro do conselho real, que não quer Sparhawk perto de Elenia e muito menos perto de Ehlana, para isso manipula o princípe regente primo da rainha, para que aquilo que quer seja estabelecido no reino. 

O problema para Sparhawk é que, se não houver a solução do problema de saúde de Ehlana em 1 ano, ela morrerá, por isso, por causa de seu compromisso de proteger a vida da rainha, ele retorna para solucionar o caso. No decorrer do texto, muitos outros personagens se inserem na história para ajudar, ou atrapalhar Sparhawk na sua missão, porém vemos toda a história sob a perspectiva dele. 

Confesso que de início demorei para engatar a leitura,  acho que tenha a ver mais com o meu tipo de leitura, porque o livro é bem escrito, tem um texto que não  é cansativo e convence naquilo que se propõe. 

David Eddings é um autor bem reconhecido como escritor de literatura fantástica, confesso que não o conhecia, acho importante justamente, que as editoras possam nos presentear com livros que não temos acesso, e que são clássicos e com autores famosos porém, não traduzidos ainda no Brasil. 

Depois da primeira impressão de uma certa dificuldade, o livro desenrola bem e prende a atenção na trama toda de Sparhawk, que é um personagem-narrador, bravo e tipicamente um guerreiro com tom de medieval. Aliás toda a história tem esse tom, a não ser pela parte de feitiços e certos poderes que o próprio Sparhawk possui, poderia ser uma história de batalha medieval, pelo poder do trono de um reino.

Uma coisa que gostei muito nesta edição, é a diagramação que a Aleph fez, com grandes espaços e uma boa letra para leitura, como é um livro de história repleto de personagens, e muita contextualização e descrição, a diagramação pode e interfere na leitura, mas no caso deste livro, a estrutura de página ajudou demais. 

Para finalizar, recomendo o livro para quem gosta desse tipo de assunto, fãs de batalhas, senhores, princesas e espadas amarão o livro. As vezes, precisamos de histórias de heróis medievais que tem coragem e bravura para defender seus ideais. ;)

Até mais!!




Sobre séries: The Strain

02 junho 2016

Demorei muito para começar a ver The Strain, desde o lançamento da série, ao ver os trailers fiquei com muita curiosidade, porém assisto mais séries do que consigo viver por isso, protelei até agora.



Bom, mas a verdade é que a série de Guillermo Del Toro, realmente é boa, bem produzida e com ótimos atores. A história parte do mito dos vampiros e insere um tom, ao meu ver, meio zumbi aos vampiros. Pode  parecer estranho falar assim, mas a verdade é que a coisa toda funciona muito bem, funciona a ponto de você comprar esse vampiro/zumbi.



Os atores nos papéis principais são : Corey Stoll como Dr. Ephraim "Eph" Goodweather, David Bradley como professor Abraham Setrakian, Mía Maestro como Dra. Nora Martinez, Kevin Durand como Vasiliy Fet, Jonathan Hyde como Eldritch Palmer e Richard Sammel como Thomas Eichhorst, no elenco recorrente. Como já disse antes o elenco é muito interessante, principalmente  Corey Stoll no papel principal, como médico infectologista, que inicia a investigação sobre essa praga que começa a assolar Nova York e acaba se deparando com vampiros esquisitos. 



Já falo já, que pra assistir séries como essa, você tem que comprar o conteúdo dela, nada adianta ficar pensando que aquilo não acontece, ou fulano não faria assim , o negócio é aproveitar o tom trash, descabido e apocalíptico que a série propõe, porque assim vejo essas propostas de encontrar terror numa mistura de dia a dia normal e um tom de horror trash. 

A história faz sentido em si mesma, Guillermo Del Toro é bom no tom que propõe, é bom nas cenas que assusta e nos vilões que põe na história, por isso recomendo, na minha opinião depois de The Walking Dead melhor série do gênero. A série até tem 2 temporadas e promete uma terceira vindo por aí, torcendo pra que realmente tenha. 

Até mais e cuidado pra sair à noite.

:p


Arco de virar réu

25 maio 2016

O arco de virar réu é o livro de estreia de Antonio Cestaro lançado pela Editora Tordesilhas esse ano. O livro conta a trajetória à loucura ou melhor, à esquizofrenia, do narrador, um historiador, J. Bristol, cujo irmão Pedro sofre desde cedo com o diagnóstico de esquizofrenia. 


Arco de virar réu
Antonio Cestaro
Editora Tordesilhas
2016 - 152 páginas
Este livro foi cedido pela editora como cortesia


O livro começa com a narração da doença do irmão e da família do narrador, ao passo que a história se desenrola, principalmente a partir de uma ideia que surge a ele, num simpósio sobre indígenas, que é o alvo de seu estudo. Antes disso, ele nos mostra um pouco de sua família, um tanto desfuncional e que não sabe muito bem lidar com as questões da doença de seu irmão, além de ter sido abandonado pelo pai. 

A loucura é um assunto ao meu ver, bastante atraente porque carrega em si discussões e possibilidades infinitas, há muito tempo ela é explorada seja nos livros, cinema ou qualquer outro meio,  mas é igualmente carregada de incompreensões. 

A loucura do protagonista começa então, a partir desse simpósio onde sofre delírios sobre uma suposta relação das coisas imaginadas por seu irmão e rituais indígenas, começa aí então seu processo de adoecimento. Mistura seus estudos com os delírios de seu irmão, passando por um lento declínio de sua própria sanidade. O nosso narrador começa então a escrever seus próprios delírios, tornando-se aos poucos uma história cheia de lacunas, com falas incoerentes e sem muita conexão, porém sempre uma busca pela sanidade em diversas falas do livro. 

Achei que no decorrer do livro a história fica inconcisa e se perde um pouco, junto com a perda da sanidade do narrador. Um ponto importante que achei é a citação do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, citando um pouco das barbaridades que por lá aconteceram no tratamento de pessoas com problemas psíquicos, história muito bem narrada em Holocausto Brasileiro pela autora/ jornalista Daniela Arbex. 

Para uma estreia, a história é bastante atraente e percorre um pouco desse mundo confuso e de certa forma vazio e complexo que é a doença mental. A narrativa é muito boa e sentimos a deterioração da sanidade de J. Bristol aos poucos, as vezes um pouco superficial demais mas, no geral com uma linguagem que atrai, principalmente, nos delírios, quando o texto se torna extremamente poético. 

Arco de virar réu é uma boa estreia, e tem uma capa lindíssima. 

Até mais!
 
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